30 Por Uma Linha: História da Banda Punk
90ª Edição do Força Bruta

Os 30 Por Uma Linha são uma banda portuguesa de punk rock e hardcore formada em 1997, em Santo António dos Cavaleiros, Loures, por amigos que cresceram na mesma rua e partilhavam o gosto pela música. Depois de uma primeira fase marcada pelos concertos, de um longo período de inatividade e de um reencontro durante a pandemia, regressaram aos palcos, retomaram a composição e lançaram, em 2025, o EP "Não Sei do Mundo" nas plataformas digitais.
Na sexta-feira, 6 de novembro de 2026, os 30 Por Uma Linha são os convidados do Força Bruta, em direto. A conversa deverá percorrer os primeiros anos da banda, as mudanças de formação, o regresso aos concertos e o processo de criação do primeiro EP, mas também permitirá conhecer melhor as novas composições e perceber em que ponto estão os projetos musicais anunciados para esta fase.
Sobre os 30 Por Uma Linha, banda de punk hardcore
A biografia dos 30 Por Uma Linha começa no final dos anos 90, quando um conjunto de amigos de Santo António dos Cavaleiros, habituados a frequentar concertos e a ouvir muitas das mesmas bandas, decidiu experimentar fazer música. Com raízes nas famílias operárias da localidade, não tinham um projeto previamente definido, apenas a vontade de tocar e criar as suas canções, numa altura em que o punk rock e o hardcore ocupavam uma parte importante do seu quotidiano.
Entre os elementos que estiveram na origem da banda encontravam-se Miguel Pires, Ricardo, Bruno, Flávio e Rúben. Miguel já tinha alguma formação musical e tocava guitarra, enquanto outros começaram a aprender os respetivos instrumentos de forma essencialmente autodidata, desenvolvendo as suas capacidades à medida que os ensaios avançavam.
Os primeiros encontros musicais aconteceram na garagem de um prédio, mas o espaço deixou de estar disponível depois de surgirem queixas relacionadas com o consumo de eletricidade. Os músicos tiveram, por isso, de procurar outro local onde pudessem continuar a ensaiar, numa fase em que os meios eram limitados e grande parte das dificuldades se resolvia entre amigos.
Foi também dessas conversas que surgiu o nome 30 Por Uma Linha, recuperando uma expressão popular portuguesa associada a quem faz coisas inesperadas ou fora do habitual. Musicalmente, o ponto de partida estava no punk rock e no hardcore, com referências como Agnostic Front, Bad Religion, NOFX e Ramones, a par da influência de bandas portuguesas como os Censurados. No entanto, desde cedo, o repertório começou a incorporar elementos de ska e sonoridades mais pesadas, incluindo o metal.
Os primeiros concertos
O primeiro concerto realizou-se num bar da Bobadela, onde os 30 Por Uma Linha abriram a noite para outra banda da região de Lisboa. Nessa altura, tinham apenas cerca de quatro composições originais e precisaram de completar o alinhamento com versões de músicas de outras bandas, uma situação habitual entre músicos que estavam a dar os primeiros passos.
Com o passar do tempo, começaram a integrar o circuito de concertos do underground português e chegaram a atuar no Festival Sudoeste, depois de enviarem uma maquete à organização e conseguirem uma oportunidade para subir a um dos palcos dedicados à apresentação de novos talentos. Foi uma das experiências mais marcantes da primeira fase da banda, que até então se tinha desenvolvido sobretudo através dos ensaios e das atuações em espaços mais pequenos.
Apesar das diferentes referências musicais, os 30 Por Uma Linha mantinham uma abordagem assente na energia do punk e do hardcore, cruzando ritmos rápidos, guitarras mais pesadas e momentos melódicos. Essa mistura acompanhou o crescimento do repertório e abriu espaço a composições que continuariam a fazer parte da história da banda muitos anos depois.
A pausa e o reencontro durante a pandemia
A primeira fase dos 30 Por Uma Linha prolongou-se até aproximadamente 2003 ou 2004, altura em que os percursos pessoais e profissionais dos músicos começaram a dificultar a continuidade da banda. A atividade foi diminuindo e, com o tempo, os concertos e os ensaios deixaram de fazer parte da rotina.
Ricardo passou vários anos em Espanha, Miguel desenvolveu a carreira como técnico de som e outros elementos seguiram caminhos musicais distintos. Flávio, um dos guitarristas da formação inicial, esteve ligado aos Punk Sinatra, banda criada em 2003 com músicos provenientes dos Speed Cristal e João Pedro Almendra.
Os 30 Por Uma Linha permaneceram afastados dos palcos durante muitos anos, até que, em 2020, durante a pandemia, antigos amigos decidiram voltar a encontrar-se para tocar algumas das músicas que tinham criado na juventude. A intenção inicial não era reconstruir a banda nem preparar novos lançamentos, mas simplesmente recuperar velhas composições e voltar a passar algum tempo juntos.
Os ensaios, porém, acabaram por despertar a vontade de continuar. À medida que recuperavam as músicas, o reencontro informal deu lugar a uma atividade mais regular, que a banda situa em 2021, agora com a experiência musical e pessoal acumulada ao longo de quase duas décadas.
30 Por Uma Linha: o regresso aos palcos e ao estúdio
A reestreia dos 30 Por Uma Linha aconteceu a 30 de abril de 2023, no Barreiro, num evento que reunia punk hardcore, reggae e ska. Foi o reencontro da banda com o público depois de um longo interregno e, a partir daí, os músicos começaram a procurar novas oportunidades para apresentar o repertório, aproveitando também os contactos que tinham mantido no circuito independente.
O regresso não ficou limitado aos concertos. Ao longo de 2023, os músicos começaram também a divulgar novas gravações e, em dezembro desse ano, registaram cinco temas que viriam a integrar o primeiro EP, privilegiando uma captação próxima da forma como tocavam nos ensaios, com os instrumentos executados em simultâneo.
Depois das gravações, Miguel dedicou vários meses à mistura e à masterização do material no seu estúdio doméstico, embora a edição acabasse por avançar por etapas, começando pela disponibilização de parte das músicas no Bandcamp, em 2024.
O Vai D'Embute Punk Fest e os concertos de 2024 e 2025
Um dos momentos mais significativos do regresso aconteceu a 15 de junho de 2024, no Vai D'Embute Punk Fest, realizado no Jardim João Ribas, também conhecido como Jardim dos Coruchéus, em Alvalade, Lisboa. Os 30 Por Uma Linha partilharam o cartaz com Acesso de Raiva, Hermosa Beach, Bastardos do Cardeal e Crianças ao Poder, numa jornada dedicada ao punk português.
O convite teve uma origem particularmente curiosa. Cristina Carrilho, ligada à organização do festival, assistiu a um ensaio da banda numa altura em que os músicos estavam a tocar "Toma Lá Disto", uma composição com um refrão provocador que chamou a atenção pela atitude e energia.
A atuação nos Coruchéus acabou por ter um significado especial, não só pela ligação histórica daquele espaço ao punk português, mas também pela presença de familiares e amigos. A banda interpretou ainda músicas antigas associadas à cena de Alvalade perante alguns dos seus autores e, para alguns dos músicos, foi uma oportunidade de partilhar com os filhos uma parte importante do seu passado, agora recuperada através dos concertos.
Em 2025, os 30 Por Uma Linha continuaram a marcar presença em diferentes palcos nacionais, incluindo o Punks Not Dead Fest, no Feijó, e concertos partilhados com bandas como Acesso de Raiva e Albert Fish. A continuidade das atuações permitiu apresentar o repertório antigo a novos públicos, ao mesmo tempo que a banda trabalhava nas composições destinadas à fase seguinte.
Em abril de 2025, a banda anunciou a saída de Ricardo Pereira, baixista e membro fundador. Para assumir o baixo, entrou João Pinto, conhecido como "Javali", amigo de longa data dos músicos, que se estreou a 26 de abril, em Beja, nas comemorações do 20.º aniversário da Associação Arruaça.
"Não Sei do Mundo": o primeiro EP dos 30 Por Uma Linha
Capa do EP Não Sei do Mundo, editado em 2025.
A 4 de outubro de 2025, quase dois anos depois das gravações, os 30 Por Uma Linha lançaram "Não Sei do Mundo" nas plataformas digitais. A edição reuniu cinco faixas, enquanto a versão que a banda já tinha disponibilizado no Bandcamp em maio de 2024 contava com quatro, permitindo assim que o trabalho chegasse a um público mais alargado.
Com aproximadamente 18 minutos de duração, o trabalho reúne cinco temas: "All Enchanted", "Não Sei do Mundo", "Fuga", "Sooner or Later" e "30 Por Uma Linha". Entre composições cantadas em português e inglês, o EP cruza punk rock, hardcore e passagens melódicas, refletindo as diferentes influências que sempre acompanharam os músicos.
O registo foi gravado e produzido de forma independente pelos próprios músicos, com Bruno Dias na voz, Ricardo Pereira no baixo e vozes de apoio, Miguel "Faruk" Pires na guitarra e vozes de apoio e Rafael Magalhães na bateria. Ficou, assim, documentada a formação que antecedeu as mudanças dos anos seguintes.
Uma das particularidades do lançamento é a presença de "Fuga", uma das primeiras músicas compostas pelos 30 Por Uma Linha ainda nos anos 90 e a mais antiga que continuam a tocar em concerto. A canção é dedicada à geração de jovens afetada pela Guerra Colonial, incluindo os que perderam a vida e aqueles que regressaram marcados pelo conflito. Em maio de 2024, a homenagem ganhou também um sentido pessoal, quando a banda publicou a dedicatória "Esta é pra ti pai!".
O EP reúne, assim, material de diferentes momentos da trajetória musical dos 30 Por Uma Linha, registado numa fase em que os músicos já tinham voltado a tocar juntos, mas ainda estavam a recuperar a regularidade de trabalho que tinham perdido durante os anos de inatividade.
Formação e evolução musical dos 30 Por Uma Linha
No início de 2026, Ricardo regressou aos 30 Por Uma Linha, desta vez como vocalista. A formação estreou-se em concerto a 18 de janeiro de 2026, na Fábrica de Alternativas, em Algés, dando continuidade a uma história que já ligava vários dos músicos desde os primeiros anos da banda.
Atualmente, a banda reúne Ricardo Pereira na voz, João "Javali" Pinto no baixo, Miguel "Faruk" Pires na guitarra e Rafael Magalhães na bateria. Miguel e Ricardo acompanham o projeto desde a fundação, enquanto João trouxe a experiência adquirida em bandas como Punk Sinatra e Dalai Lume. Rafael, por sua vez, passou por diferentes experiências musicais, incluindo os Silicone Suicida, uma banda de tributo aos Mamonas Assassinas.
Embora o punk rock e o hardcore continuem a ser a base do som dos 30 Por Uma Linha, há espaço para elementos de metal, ska e outras sonoridades. Essa variedade também se manifesta na composição, já que as músicas não seguem um método único e podem começar com um riff de guitarra, uma linha de baixo, uma melodia ou uma letra.
A partir dessas primeiras ideias, os arranjos são desenvolvidos em conjunto, com os músicos a experimentar soluções e a introduzir alterações durante os ensaios. Apesar da experiência acumulada e da vontade de gravar novos trabalhos, mantém-se a importância do convívio entre amigos e do prazer de tocar, precisamente aquilo que levou à recuperação da banda em 2020.
Novas músicas e os próximos passos
Depois da edição de "Não Sei do Mundo", os 30 Por Uma Linha começaram a apontar para um projeto de maior duração, com a intenção de preparar o primeiro álbum de longa duração. Entre os planos apresentados para 2026 estava a gravação de aproximadamente doze músicas, tendo "Toma Lá Disto" surgido como título de trabalho.
A nova formação começou também a apresentar composições inéditas. No concerto de janeiro de 2026, os músicos deram a conhecer dois temas, entre os quais "Autista Revolucionário", e nesse mesmo período apresentaram "Triunfo dos Cromos". Em fevereiro, revelaram que estavam a ensaiar com metrónomo para preparar as sessões de gravação do álbum, dando continuidade ao trabalho desenvolvido depois do lançamento do EP.
A ideia passava por reunir composições novas e recuperar alguns temas do EP, desta vez com outros arranjos e uma produção mais desenvolvida. Entre as músicas consideradas para uma nova gravação encontrava-se "Fuga", que os músicos pretendiam reinterpretar de uma forma mais próxima da energia que procuravam transmitir.
Outra possibilidade em discussão era transformar "Sooner or Later" numa composição cantada em português, através de alterações que poderiam ultrapassar a simples tradução da letra. A banda admitia, assim, voltar a trabalhar material já editado, procurando novas soluções sem abandonar as músicas que tinham acompanhado o regresso.
Com uma sala de ensaios própria e novas ideias em desenvolvimento, os 30 Por Uma Linha passaram também a dispor de melhores condições para trabalhar regularmente no repertório. Depois de uma longa interrupção, a continuidade dos ensaios e a preparação de novas gravações voltaram a fazer parte dos objetivos da banda.
A presença dos 30 Por Uma Linha no Força Bruta, a 6 de novembro de 2026, será uma oportunidade para perceber até onde avançaram esses planos, conhecer o estado das novas composições e descobrir o que os músicos preparam para os próximos tempos, quase três décadas depois dos primeiros ensaios numa garagem de Santo António dos Cavaleiros.
Onde ouvir e ver o Força Bruta em direto
6ª feira, das 20h às 23h
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- Ouvir no site da All Stars Radio ou na App All Stars Radio.
- As entrevistas são também transmitidas em vídeo no Facebook do Força Bruta por volta das 21:30.
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