Azzaya: história, origem e evolução da banda de Black / Death Metal

76ª Edição do Força Bruta

Emissão: sexta-feira, 10 de julho de 2026, 20:00 (hora de Portugal)

Azzaya, banda portuguesa de Black / Death Metal de Portalegre, em fotografia promocional entre ruínas com estética ritualista.

Os Azzaya são uma banda de Black / Death Metal ligada atualmente a Portalegre, no Alentejo, mas a sua história começa fora do percurso mais comum do metal extremo português. Originalmente formados na Turquia em 2021, com membros internacionais, os Azzaya transformaram-se em 2024 numa banda portuguesa, com uma sonoridade crua, agressiva e construída entre a atmosfera do Black Metal e a força do Death Metal.

No dia 10 de julho de 2026, os Azzaya estarão em direto no Força Bruta, numa emissão centrada na origem invulgar da banda, na passagem para Portugal, na evolução entre "Thy Satanick Ascension", "I Begin", "Raging Satanic Aggression" e "Infernal Blasphemia", e no momento atual depois de uma fase intensa de palco, composição e mudanças internas.

Sobre os Azzaya, banda de Black / Death Metal

A história dos Azzaya começa em 2021, numa primeira formação internacional que juntava músicos da Turquia, da Grécia e de Portugal. O fundador inicial foi Ozan, músico turco que já não faz parte da banda, e a ligação aos restantes elementos aconteceu pela internet, através de fóruns do Discord. Gabriel Warmann entrou nessa fase como guitarrista, ao lado de Ozan, da Turquia, e Georgios, da Grécia.

Essa origem ajuda a explicar porque os primeiros passos dos Azzaya não nasceram diretamente de uma cena local portuguesa, nem de uma formação pensada para tocar em palco. A banda começou como uma ligação à distância, assente numa linguagem extrema e internacional, antes de ganhar uma base concreta em Portalegre e uma direção mais ligada ao underground nacional.

A primeira fase dos Azzaya e "Thy Satanick Ascension"

Capa de Thy Satanick Ascension, primeiro álbum dos AzzayaCapa do álbum Thy Satanick Ascension.

Antes da transformação portuguesa, os Azzaya deixaram os primeiros registos de discografia em 2021. Entre eles aparecem o single "Se'irim Asa'el", o split "Pungent Shroud / Azzaya / Vanen / FomalHaut" e o primeiro álbum, "Thy Satanick Ascension". Em 2022, a discografia regista ainda o split "Tainted Hordes of Sathariel".

"Thy Satanick Ascension" é o primeiro álbum dos Azzaya e representa a fase internacional da banda. O disco foi descrito como um registo muito cru e, na altura, teve pouco impacto em Portugal, precisamente por os Azzaya serem ainda uma banda internacional e por a sua presença nacional estar longe daquilo que viria a acontecer depois.

Mais tarde, já com a nova fase em andamento, "Thy Satanick Ascension" voltou a ganhar visibilidade através de uma reedição em CD pela Prophetical Productions. Essa reedição trouxe novo artwork, novo logótipo e um booklet revisto, funcionando como uma ponte entre a origem internacional dos Azzaya e a fase portuguesa que entretanto se afirmava.

Azzaya: da Turquia a Portalegre

Depois da separação da primeira formação, Gabriel Warmann decidiu continuar o nome Azzaya e trazer a banda para Portugal. Esse momento é decisivo para perceber tudo o que vem a seguir. O projeto deixa de ser apenas uma colaboração internacional à distância e passa a ganhar uma base concreta em Portalegre, com músicos próximos, vontade de palco e uma visão mais definida para o som.

Em 2024, os Azzaya transformam-se numa banda completamente portuguesa. A partir daí, o percurso deixa de depender apenas do estúdio e passa a ser também construído em concertos, presença cénica e contacto direto com o público. A própria apresentação da banda descreve esta fase como uma viragem para propagar a sua sonoridade em palco.

"I Begin" e o novo capítulo dos Azzaya

"I Begin", lançado em 2024, é o segundo álbum dos Azzaya e funciona como ponto de viragem. Embora tenha sido feito em grande parte por Gabriel Warmann, o disco já nasce próximo da formação portuguesa que se iria afirmar em palco. Luís Simão e André Marmelo mostraram interesse em fazer parte da banda e em escrever para o álbum, enquanto Francisco Gandum surge como peça natural na passagem para uma estrutura mais completa.

O título "I Begin" ajuda a ler essa etapa. O álbum marca uma fase de autoexpressão, de afirmação individual e de recomeço. Gabriel Warmann descreve esse período como uma tentativa de explorar a sua capacidade de fazer som, produzir e expressar ideias sozinho, sem estar condicionado pela receção que o disco pudesse ter.

Mais do que apenas o segundo álbum dos Azzaya, "I Begin" representa a passagem do nome para uma nova fase criativa. É o disco em que a banda começa a aproximar o passado internacional de uma realidade portuguesa, com membros que viriam a ser determinantes na construção da presença em palco.

Os Azzaya em palco: estreia, intensidade e método old school

A estreia em palco aconteceu em março de 2024, no Quina das Beatas Fest, em Portalegre. A banda apresentou esse concerto como a sua estreia em palco, agradecendo ao CAE Portalegre e às bandas Critical Hazard e Above the Ocean. Foi o primeiro passo de uma sequência que ajudou os Azzaya a ganharem espaço no circuito nacional.

Desde que se tornaram uma formação completa, os Azzaya têm procurado tocar de norte a sul, espalhar o nome de forma old school e construir concertos mais dinâmicos, viscerais e próximos do público. Essa dimensão é importante porque a banda não se define apenas pela discografia: há uma relação direta entre som, presença, ritual e experiência de palco.

A passagem pelo Laurus Nobilis em 2024, o primeiro lugar no NADA Extreme Battle 2025 e a receção em Portugal da banda brasileira Mystifier surgem como momentos relevantes na afirmação dos Azzaya no metal extremo português.

"Raging Satanic Aggression" e a ligação ao repertório dos concertos

Capa de Raging Satanic Aggression, EP dos Azzaya lançado em 2024EP Raging Satanic Aggression, dos Azzaya.

No final de 2024, os Azzaya lançaram "Raging Satanic Aggression". O EP saiu a 28 de dezembro e foi pensado para representar melhor o alinhamento de palco da banda. Por isso, o registo recupera material que o público já podia reconhecer dos concertos e adapta parte do passado dos Azzaya à nova fase portuguesa.

"Raging Satanic Aggression" reúne seis faixas: três temas retrabalhados do primeiro álbum, dois temas novos em português e uma versão alternativa. O alinhamento inclui "Raging Satanic Aggression", "Evoking the Khaosatan", "Empyrial of thy Lord Infernal", "Anticristo", "Cabritos de Deus" e "Empyrial of thy Lord Infernal (ALT VERSION)".

A relevância do EP está precisamente nessa função de transição. "Raging Satanic Aggression" aproxima a fase inicial dos Azzaya do que a banda se tornou em palco, reforçando a intensidade, a componente direta e a ligação ao público que entretanto passou a acompanhar a banda.

"Infernal Blasphemia": o novo ciclo dos Azzaya

Capa de Infernal Blasphemia, EP dos Azzaya lançado em 2025Infernal Blasphemia, EP de 2025

"Infernal Blasphemia", lançado em 2025, abre um novo ciclo para os Azzaya. Depois de "I Begin", de "Raging Satanic Aggression" e de uma sequência de concertos em Portugal, o EP surge como um trabalho original, com várias participações e mais ligado às relações criadas dentro do underground.

O EP foi lançado a 29 de novembro de 2025, com edição em CD pela Maledict Records, edição em cassete pela War Prod e presença nas plataformas digitais. A banda apresentou o lançamento como um trabalho de sete faixas, com cinco convidados da cena nacional e internacional.

O alinhamento de "Infernal Blasphemia" inclui "Infernal Blasphemia", "Black Death Assault", "Life for a Life", "The Fall of Man", "None Shall Serve", "Of Blood, Gold and Eternal Darkness" e "Satanik Tekvin IV".

Nos créditos do registo, Gabriel Warmann surge como responsável por guitarras, baixo, vozes, bateria e coros, salvo indicação em contrário, além da produção, mistura e masterização. O artwork ficou a cargo de Konstantyn Kopacz, da Warhead Art, o logótipo de Aether Vortex Designs e as fotografias de Vitor Pina.

Azzaya, satanismo e contracultura em "Infernal Blasphemia"

O tema do satanismo atravessa a linguagem dos Azzaya, mas não surge sempre com o mesmo significado. Em "I Begin", esse universo foi usado para expressar autoexpressão e recomeço. Em "Infernal Blasphemia", a leitura muda: o EP aproxima-se mais de uma energia de choque, rebelião e oposição ao sistema.

Essa diferença conceptual é importante para perceber a evolução da banda. "Infernal Blasphemia" não é apenas mais uma descarga de Black / Death Metal; é também uma forma de usar a simbologia extrema do género como linguagem de contracultura, oposição e confronto com o tempo em que o EP foi criado.

Os convidados de "Infernal Blasphemia"

Entre os convidados de "Infernal Blasphemia" estão Matt Priso, Alexandre Clément, Hugo Santos, Nelson Rodrigues e Nuno Romero. As participações ligam os Azzaya a nomes como SIK, Spells ov Torment, Law of Contagion, Gandur, Nonservant, Critical Hazard, Legacy of Payne e Stone of Patience.

A presença de Matt Priso tem um peso especial na história da banda. Mais do que uma participação vocal isolada, Priso é apontado como um apoiante dos Azzaya desde o primeiro álbum, tendo contribuído para a divulgação da banda fora de Portugal, especialmente na Austrália. Além disso, foi também responsável pela capa de "I Begin".

Essa ligação torna "Infernal Blasphemia" mais do que um EP com convidados. O disco funciona como uma celebração das relações feitas dentro e fora da estrada, juntando vozes diferentes sem desviar os Azzaya da sua linguagem central.

Os singles de "Infernal Blasphemia"

A preparação de "Infernal Blasphemia" foi feita através de três singles. "Black Death Assault" surgiu como primeiro avanço e contou com Alexandre Clément, vocalista dos Law of Contagion. A própria banda apresentou o tema como uma música representativa da sua intensidade e destruição.

O segundo avanço foi a faixa-título, "Infernal Blasphemia", com Matt Priso. A escolha reforça a ligação internacional dos Azzaya e recupera uma relação que já vinha desde a fase inicial da banda.

O terceiro single, "Of Blood, Gold and Eternal Darkness", trouxe Nelson Rodrigues, dos Nonservant. A participação integra-se na lógica colaborativa do EP e na ligação da banda a nomes do underground nacional.

Azzaya em 2026: composição, palco e nova fase

Depois de um 2025 descrito pela própria banda como um ano cheio de pontos altos, os Azzaya entraram em 2026 com uma ideia clara de evolução e planeamento. A mensagem deixada no início do ano apontava para uma fase diferente, com vontade de sair mais forte e com um plano mais definido para construir algo próprio, sem deixar de subir a palco.

Os Azzaya em palco durante concerto de Black / Death Metal.Os Azzaya em palco.

Em maio de 2026, a banda já falava no processo de composição de um novo álbum. A intenção era que as novas músicas fossem escritas por todos, numa lógica mais coletiva do que aquela que marcou "I Begin" e "Infernal Blasphemia". Esse detalhe é importante porque mostra que 2026 não é apenas uma fase posterior ao EP, mas também o início de uma etapa criativa mais partilhada.

A atividade em palco continuou nesse período. Um dos momentos mais importantes aconteceu a 29 de maio de 2026, no Grupo Motard Novo Milénio, em Portalegre, com Vøidwomb e GoatCult. Além de marcar o regresso a casa, esse concerto foi depois assinalado como o último com o então guitarrista Nazur, a quem a banda agradeceu os anos de dedicação.

Porque os Azzaya chegam agora ao Força Bruta

A presença dos Azzaya no Força Bruta, a 10 de julho de 2026, acontece num ponto particularmente interessante da sua história. A banda já passou pela origem internacional, pela transformação portuguesa, pela afirmação em palco, pelo lançamento de "I Begin", pela adaptação do repertório em "Raging Satanic Aggression" e pelo ciclo colaborativo de "Infernal Blasphemia".

Ao mesmo tempo, os Azzaya chegam ao programa numa fase de composição, planeamento e mudança interna. A conversa em direto no Força Bruta será, por isso, uma oportunidade para olhar para a história da banda com distância, perceber melhor o peso de Portalegre no seu percurso e enquadrar o que poderá vir a seguir dentro do Black / Death Metal nacional.

Onde ouvir e ver o Força Bruta em direto

6ª feira, das 20h às 23h

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