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Crucivore: história da banda e Desecration

85ª Edição do Força Bruta

Emissão: sexta-feira, 25 de setembro de 2026, 20:00 (hora de Portugal)

Crucivore, banda portuguesa de death metal de Lisboa, em fotografia promocional

Os Crucivore são uma banda de Lisboa formada no final de 2024, com uma sonoridade assente no death metal contemporâneo, brutal death metal e slam, à qual juntam elementos melódicos, ambientes sombrios e diferentes níveis de intensidade. Apesar da curta existência, os músicos chegaram ao projeto com vários anos de experiência na música extrema portuguesa e em menos de dois anos, passaram da formação da banda para os palcos, editaram os primeiros singles, assinaram com a Testimony Records e prepararam o álbum de estreia, Desecration.

Na sexta-feira, 25 de setembro de 2026, os Crucivore são os convidados do Força Bruta, em direto, no dia seguinte ao lançamento previsto de "Devourer of Existence", terceiro single digital associado a Desecration. A conversa deverá, entre outros assuntos, abordar a origem da banda, a construção do álbum, os primeiros meses em palco, o novo single e o percurso que levou os Crucivore da estreia em Lisboa até ao contrato com uma editora internacional.

Sobre os Crucivore, banda de death metal contemporâneo

A história dos Crucivore começa a 14 de dezembro de 2024, quando o vocalista Ricardo Proença e o guitarrista Sérgio Páscoa decidem criar uma nova banda em Lisboa. A intenção era recuperar a agressividade e a sensação que os tinha aproximado originalmente do death metal, embora sem transformar o projeto numa simples reprodução do passado.

Os dois fundadores traziam consigo percursos extensos. Ricardo Proença, também conhecido em palco como Ricardo "Bugs", tinha sido o primeiro vocalista dos Analepsy, entre 2013 e 2016, participando na fase inicial da banda e no EP Dehumanization by Supremacy, além de ter passado por projetos como Corpseification, Liquefied, Neoplassis e Vermicular Incubation e de ter atuado com os Kraanium.

Sérgio Páscoa acumulava igualmente experiência em diferentes vertentes da música pesada. Passou pelos Downfall of Mankind, primeiro na guitarra e depois no baixo, foi vocalista dos Shoryuken durante mais de uma década e esteve ligado a projetos como Lvnae Lvmen, Invoke e Serrabulho. Algumas das relações que viriam a ter importância na formação e no desenvolvimento dos Crucivore já existiam nesta fase.

A primeira formação pública conhecida ficou completa com Ricardo Jorge na guitarra, Tomás Carvalho na bateria e Cláudio Melo no baixo. Cláudio já tinha partilhado os Downfall of Mankind com Sérgio Páscoa, enquanto Tomás, também conhecido como Persan, estava ligado a bandas como ATA e Haunted Minds. Assim, embora os Crucivore fossem um projeto novo, os seus membros já conheciam bem o circuito da música extrema portuguesa.

Da formação em 2024 à estreia em palco

Durante os primeiros meses, a atenção esteve sobretudo na composição, nos ensaios e na preparação de repertório. Em vez de começar por editar singles, a banda preferiu chegar primeiro aos concertos com material próprio suficientemente desenvolvido.

A estreia ao vivo aconteceu a 25 de julho de 2025, no RCA Club, em Lisboa, num cartaz que incluía Defeated Sanity, Cognitive, Counteractt, Inhuman Architects, Above the Ocean e The White Pony, cerca de sete meses depois da criação dos Crucivore.

Seguiram-se novas datas em Almada e Lisboa, entre elas o Purgatory Mental Fest, em setembro, um concerto no RCA Club com Holocausto Canibal e Headdrop, em novembro, e uma nova passagem pelo Hollywood Spot, em dezembro. Nessa altura, porém, a banda continuava sem qualquer lançamento oficial disponível, pelo que grande parte das músicas só podia ser ouvida nos concertos.

Essa sequência acabaria por marcar os primeiros tempos dos Crucivore: primeiro vieram as composições e os palcos, depois as gravações e os lançamentos.

Crucivore antes dos primeiros singles: um álbum já presente nos concertos

O concerto de 17 de janeiro de 2026, no Xapada Fest, mostra até que ponto o futuro álbum já estava avançado vários meses antes de ser anunciado. Nesse dia, os Crucivore tocaram "The Crucivore's Feast", "The Banished Torment", "Depths of Despair", "Memento Mori", "The Oracle", "The Matriarch", "Triumph of the Grotesque Disorder" e "Whispers From Eternal Sickness".

Crucivore no Xapada Fest 2026, no RCA Club em LisboaCrucivore no Xapada Fest 2026. (Foto: Cultura em Peso)

Quando esse alinhamento é comparado com o de Desecration, percebe-se que oito das doze músicas do álbum já eram apresentadas ao vivo em janeiro de 2026, quase cinco meses antes da edição do primeiro single e cerca de dez meses antes do lançamento do disco.

O concerto contou ainda com convidados. Jens Strack, dos Dekathexis, participou na guitarra em "The Oracle", enquanto Lucas Matronn, aluno de Ricardo Proença, dividiu os vocais em "The Matriarch". Estas participações ficaram limitadas ao contexto de palco e não há indicação de que qualquer um deles tenha participado nas gravações de Desecration.

Em junho, no LX Extreme Death Fest, "Condemned" juntava-se às músicas já documentadas em concerto, elevando para pelo menos nove o número de faixas do futuro álbum que tinham passado pelo palco antes da sua edição.

A mudança no baixo e a entrada de Caesar Craveiro

Entretanto, o início de 2026 trouxe também a primeira alteração conhecida na formação. Cláudio Melo ainda tocava baixo com os Crucivore no Xapada Fest, a 17 de janeiro, mas a 27 de fevereiro de 2026 Caesar Craveiro estreava-se em palco como seu substituto.

Cláudio, no entanto, não se afastou completamente dos Crucivore e continuou ligado às áreas de management e organização. Caesar assumiu o baixo e passou igualmente a ter um papel central no trabalho de estúdio que conduziria ao primeiro álbum.

A sua ligação aos restantes músicos também não começou com esta entrada. Caesar já tinha trabalhado em gravação, produção, mistura e masterização para diferentes projetos portugueses e existiam cruzamentos profissionais anteriores com Sérgio Páscoa e Cláudio Melo.

Em Desecration, ficou responsável pela gravação, mistura e masterização no Fingerprint Studio Lx, em Lisboa, além de gravar o baixo. No caso de "Triumph of the Grotesque Disorder", Tomás Carvalho registou a bateria em fevereiro, Caesar e os dois guitarristas gravaram entre março e abril e Ricardo Proença completou as vozes entre abril e maio.

Crucivore estreiam-se em disco com "Triumph of the Grotesque Disorder"

O primeiro lançamento oficial dos Crucivore chegou a 10 de junho de 2026, cerca de dez meses e meio depois da estreia ao vivo. "Triumph of the Grotesque Disorder" foi editado de forma independente e acompanhado por um vídeo apresentado através da Slam Worldwide.

Crucivore - Triumph of the Grotesque Disorder, primeiro single da bandaTriumph of the Grotesque Disorder, primeiro single da banda

A letra aborda a desintegração da ordem social através de um cenário marcado por violência, corrupção, medo, criminalidade, incapacidade institucional e caos urbano, enquanto a música acompanha essa ideia com riffs pesados, mudanças rítmicas e uma abordagem particularmente agressiva.

Três dias depois, os Crucivore regressaram ao RCA Club para o LX Extreme Death Fest, onde continuaram a apresentar várias das músicas que integrariam o álbum. Em julho, chegaram ao Laurus Nobilis Music Fest, em Famalicão, num concerto que viria também a fornecer as imagens utilizadas no vídeo do single seguinte.

O passo decisivo fora dos lançamentos independentes aconteceu a 9 de agosto de 2026, quando os Crucivore anunciaram um acordo para vários álbuns com a alemã Testimony Records. A ligação à editora tinha, contudo, antecedentes: Thomas Strater, responsável pela Testimony, conhecia Sérgio Páscoa havia cerca de uma década e foi o próprio Sérgio quem mais tarde lhe apresentou os Crucivore.

"Depths of Despair" mostra outro lado dos Crucivore

Poucos dias depois da assinatura, a 18 de agosto de 2026, chegou "Depths of Despair", segundo single da banda e primeiro tema lançado já no contexto da campanha de Desecration com a Testimony Records.

Enquanto "Triumph of the Grotesque Disorder" se concentra no caos social, "Depths of Despair" olha para uma experiência mais pessoal e aborda a sensação de estar preso dentro do próprio desespero sem conseguir encontrar uma saída.

Também musicalmente surgem diferenças. A composição parte de uma base melódica e sombria, à qual os Crucivore juntam grooves pesados e slams, criando contrastes maiores entre tensão, atmosfera e impacto rítmico.

O vídeo utiliza imagens captadas durante a atuação no Laurus Nobilis, a 17 de julho, numa produção da Droplight Creative com captação de Guilherme Miraculo e Viviana Fernandes.

Crucivore lançam "Devourer of Existence" na véspera do Força Bruta

O próximo capítulo de Desecration tem lançamento marcado para 24 de setembro de 2026, apenas um dia antes da presença dos Crucivore no Força Bruta. "Devourer of Existence" será o terceiro single digital da banda, sucedendo a "Triumph of the Grotesque Disorder" e "Depths of Despair", com edição através da Testimony Records.

O tema será acompanhado por um novo videoclip realizado por Beatriz Mariano, acrescentando mais uma música à apresentação de Desecration antes da chegada do álbum em novembro. O lançamento na véspera da entrevista coloca também "Devourer of Existence" entre os temas em destaque na conversa de 25 de setembro.

"Desecration": o álbum de estreia dos Crucivore

O primeiro álbum dos Crucivore, Desecration, tem lançamento marcado para 13 de novembro de 2026 através da Testimony Records. São 12 músicas distribuídas por cerca de 37 minutos, com edições previstas em CD, vinil preto e vinil verde com splatter preto.

O alinhamento reúne grande parte do material que a banda apresentou em concerto ao longo dos primeiros meses de 2026:

  • The Crucivore's Feast
  • Memento Mori
  • The Banished Torment
  • Condemned
  • Whispers From Eternal Sickness
  • The Oracle
  • Triumph Of The Grotesque Disorder
  • Reminisce Devotion
  • The Matriarch
  • Devourer Of Existence
  • Depths Of Despair
  • Terminus

Capa de Desecration, álbum de estreia dos CrucivoreCapa de Desecration, álbum de estreia dos Crucivore.

Musicalmente, Desecration cruza death metal, brutal death metal e slam, mas não mantém sempre o mesmo nível de intensidade. Aos riffs mais pesados, bateria agressiva, breakdowns e slams juntam-se passagens melódicas, mudanças de dinâmica e momentos mais atmosféricos, algo que já se tornou perceptível nos temas apresentados até agora.

Essa combinação está relacionada com a própria intenção que levou à criação da banda: recuperar a agressividade que marcou os músicos enquanto ouvintes de death metal, mas trabalhá-la a partir da experiência acumulada ao longo dos anos e sem depender apenas da nostalgia.

As letras percorrem temas como corrupção, decadência, blasfémia, mortalidade, cenários apocalípticos e o lado grotesco da existência. Existe um ambiente comum entre as músicas, embora Desecration não tenha sido apresentado como um álbum conceptual com uma narrativa contínua.

Lisboa também entra nesse enquadramento. A imagem da cidade luminosa, movimentada e turística contrasta com uma Lisboa vazia e mais sombria, como se por baixo da superfície habitual existisse algo antigo e mórbido. Esse contraste acompanha bem um disco que procura alternar peso imediato com momentos mais densos e atmosféricos.

Crucivore em setembro de 2026

Atualmente, os Crucivore são Ricardo Proença na voz, Ricardo Jorge e Sérgio Páscoa nas guitarras, Caesar Craveiro no baixo e Tomás Carvalho na bateria, enquanto Cláudio Melo continua ligado ao lado organizacional e de management.

Desde dezembro de 2024, a banda passou rapidamente dos ensaios para os concertos, construiu grande parte do repertório de Desecration antes de publicar qualquer música, mudou de baixista, entrou em estúdio, editou os dois primeiros singles e assinou com a Testimony Records. A 24 de setembro está previsto o lançamento de "Devourer of Existence", terceiro single da banda, antes da chegada de Desecration a 13 de novembro.

A 25 de setembro, no dia seguinte ao lançamento previsto de "Devourer of Existence", os Crucivore passam pelo Força Bruta para falar dessa primeira fase, desde o encontro que juntou Ricardo Proença e Sérgio Páscoa até à criação de Desecration, passando pela composição das músicas, pelos primeiros concertos, pela entrada de Caesar Craveiro, pelo novo single e pelo caminho até à Testimony Records.

Onde ouvir e ver o Força Bruta em direto

6ª feira, das 20h às 23h

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