Danger Machine: história da banda e Tale of the Witchburner
82ª Edição do Força Bruta

Os Danger Machine surgiram em Évora em 2021 e fizeram dos primeiros anos uma aprendizagem em público: começaram por explorar uma abordagem Black'n'Roll, levaram essas músicas para palco, alteraram a formação e chegaram a 2026 com um som muito mais trabalhado e assumidamente orientado para o Heavy Metal, preparando agora o primeiro álbum, Tale of the Witchburner. Entre a crueza dos dois primeiros lançamentos e o Heavy Metal dos singles mais recentes, a banda entra agora no capítulo mais ambicioso da sua história.
Na sexta-feira, 11 de setembro de 2026, os Danger Machine são os convidados do Força Bruta. A conversa em direto acontece numa altura particularmente interessante: "Smashing Silence" já abriu a campanha do álbum e "Greyhound", cujo lançamento oficial está marcado para 18 de setembro, será ouvido em exclusivo no Força Bruta uma semana antes de chegar ao público. As cópias em CD de Tale of the Witchburner já estão também em produção. A origem da banda, a evolução desde Metallick Mercenaries, as mudanças de formação, o processo de composição, o conceito do álbum e a história por detrás da nova fase estarão naturalmente no centro da conversa.
Sobre os Danger Machine, banda de Heavy Metal
Apesar de os Danger Machine existirem oficialmente desde 2021, a história do nome começa vários anos antes. Danger Machine já era o nome artístico usado por Diogo Maurício desde cerca de 2015, numa altura em que o músico procurava para si uma personagem ligada ao universo do Metal. O gosto pelo uso de nomes artísticos dentro da cena e referências musicais que faziam parte da sua formação, entre elas "Love Machine", dos W.A.S.P., ajudaram a chegar ao nome que acabaria por sobreviver e mais tarde dar origem à própria banda.
Diogo, natural de Beja e formado em Arqueologia, já fazia música vários anos antes dos Danger Machine. Passou por projetos como De-Humanize e Pacensis, este último formado no final de 2019 e ativo até 2023. Essa experiência anterior ajuda a perceber porque os Danger Machine não nasceram como uma primeira tentativa de fazer música, mas já com uma ideia relativamente concreta sobre o tipo de banda que Diogo queria construir.
O conceito nunca foi o de uma carreira a solo convencional. Quando começou a pensar seriamente nos Danger Machine, Diogo tinha em mente algo mais próximo da lógica de King Diamond: uma figura central forte, associada ao nome do projeto, mas rodeada por músicos que funcionassem realmente como uma banda.
Danger Machine nasce em Évora em 2021
A génese direta da banda começa em outubro de 2020, quando Diogo Maurício e Nuno Basso Rota, que viria a assumir o nome War "Rex" Rhino, se conheceram na Universidade de Évora. Curiosamente, nenhum dos dois estava então a tocar Metal. Diogo encontrava-se num projeto orientado para outras sonoridades de Rock e Nuno tocava numa banda de Rock psicadélico.
O ponto de contacto surgiu precisamente na vontade comum de fazer Metal. Em abril de 2021, Diogo começou a desenvolver seriamente aquilo que imaginava como o seu próprio projeto e convidou Nuno para assumir a bateria. Havia já uma química musical entre os dois e entre abril e novembro de 2021, Diogo trabalhou nas músicas que mais tarde alimentariam Metallick Mercenaries. Parte desse material inicial acabaria por continuar a acompanhar a banda durante vários anos.
Há também uma pequena história que os próprios músicos recordam dessa fase. War Rhino nunca teve no dia a dia uma aparência particularmente associada ao Metal e Diogo chegou inicialmente a desconfiar da intensidade do seu interesse pelo género. A dúvida desapareceu quando Nuno lhe enviou uma gravação sua a tocar uma música dos Lamb of God. A partir daí, a ideia começou definitivamente a transformar-se numa banda.
Em novembro de 2021, os Danger Machine foram oficialmente estabelecidos. A banda costuma brincar com a ideia de ter vindo das "catacumbas da Sé de Évora", mas a frase tem uma base real: o seu marco zero aconteceu no Palácio do Vimioso, mesmo junto à Sé de Évora.
Até a apresentação visual passou por experiências que acabariam abandonadas. Numa fase inicial, os Danger Machine chegaram a imaginar músicos mascarados e começaram efetivamente com dois elementos a usar máscara. Com o desenvolvimento do projeto, essa componente desapareceu.
Os nomes por detrás dos primeiros Danger Machine
Os nomes artísticos não ficaram limitados a Diogo. Nuno explicou a origem de War "Rex" Rhino através de três elementos diferentes. "War" está ligado à sua passagem pelo Exército, "Rhino" ao gosto pessoal pelo animal e "Rex" surgiu mais tarde, a partir da palavra latina para "rei". O músico chegou a ser tratado simplesmente por War Rhino, Rex Rhino ou Rex.
Phantom Lord, nome utilizado por Paulo Neves, é uma homenagem direta a "Phantom Lord", dos Metallica. A entrada de Paulo aconteceria apenas numa fase posterior, quando as primeiras gravações dos Danger Machine já estavam feitas.
A geografia tornou desde cedo a logística da banda invulgar. Diogo é natural de Beja, Nuno de Portalegre e Paulo de Vila Verde de Ficalho. Os próprios músicos têm falado das distâncias como uma das dificuldades específicas de manter uma banda no Alentejo, sobretudo quando os ensaios exigem deslocações consideráveis.
O problema, segundo os Danger Machine, nunca foi propriamente a ausência de público. Os concertos na região mostraram desde cedo que havia pessoas interessadas. O obstáculo estava também na escassez de salas dedicadas regularmente ao Rock e ao Metal, o que aumenta a importância das associações, festivais e espaços que conseguem abrir portas ao underground.
Metallick Mercenaries e as primeiras gravações
Grande parte do material que definiu os primeiros Danger Machine foi gravada durante 2022. O núcleo das sessões era bastante simples: Diogo assumia voz, baixo e guitarras rítmicas, enquanto War Rhino gravava bateria. As guitarras lead e algumas participações vocais foram sendo acrescentadas através de músicos convidados.
Capa de "Metallick Mercenaries".
A banda passou pelo J.S.C.D. Bunker, espaço que mais tarde recordaria com humor como um quarto marcado pelo cheiro a tabaco. É nesse ambiente essencialmente DIY que começam a ganhar forma as primeiras gravações.
"Beware of the Night (Evil Vows)" surgiu a 11 de março de 2022 e já mostrava uma das características da primeira fase: pequenas narrativas de terror, ambiente noturno, personagens perigosas e uma estética próxima do cinema de série B.
A 7 de maio de 2022 chegou "Medusa's Eyes", seguida por "Wake Up in Leather", editada a 17 de setembro. Esta última tornou-se uma das músicas mais reconhecíveis dos primeiros anos, cruzando a devoção ao Heavy Metal com um imaginário sobrenatural onde surgem referências a um cromeleque, um dólmen e uma criatura chamada Adam Master.
A 26 de novembro de 2022 apareceu também uma versão de "If Heaven Is Hell", dos Tokyo Blade, mostrando sem grandes rodeios a ligação dos Danger Machine ao Heavy Metal tradicional.
Estas músicas não foram pensadas como uma tentativa de produzir imediatamente um disco de estúdio polido. A banda queria recuperar deliberadamente aquilo que considerava ser o verdadeiro significado de uma demo.
Danger Machine e a ideia de fazer uma verdadeira demo
Para os Danger Machine, Metallick Mercenaries deveria funcionar como ponto zero. A referência estava nas demos dos anos 80, 90 e início dos anos 2000, feitas para documentar uma banda num determinado momento, com as limitações e a crueza próprias dessa época.
Os músicos não queriam seguir uma prática que consideravam frequente nas décadas mais recentes, em que uma gravação praticamente acabada é apresentada como demo apesar de já soar próxima de um produto final. A produção mais rudimentar de Metallick Mercenaries não surgiu, por isso, apenas das circunstâncias. Foi também uma decisão artística.
Metallick Mercenaries começou por circular em 2022 numa versão promocional em K7, editada de forma independente. Só no ano seguinte o trabalho seria disponibilizado publicamente em formato digital.
A 15 de setembro de 2023, Metallick Mercenaries recebeu a sua edição digital pública e independente, com cinco temas: "Beware of the Night", "Medusa's Eyes", "Wake Up in Leather", "Alabarda no Brilho da Noite" e "Lucefecit".
A sessão reuniu vários colaboradores. Ollegator participou na guitarra lead de "Beware of the Night"; Peter Zedd em "Medusa's Eyes"; Mário Figueira deixou a sua marca em "Wake Up in Leather". Já Zack Luthor participou em "Alabarda no Brilho da Noite" e "Lucefecit", além de contribuir para "Wake Up in Leather".
"Lucefecit" contou ainda com Monsignore Belathauzer nas vozes e em letras adicionais, criando uma ponte entre os Danger Machine e uma vertente mais extrema do underground português.
A produção ficou ligada a Danger Machine e Ollegator, com mistura e masterização a cargo de Ollegator. O resultado fixou a primeira fase dos Danger Machine numa abordagem assumidamente Black'n'Roll, embora o som tenha sido também por vezes associado ao Speed Metal, acompanhando um universo de terror, ocultismo, cabedal, rua e cinema de série B.
O percurso do lançamento tem três etapas importantes. Metallick Mercenaries surgiu primeiro como K7 promocional independente em 2022, recebeu uma edição digital pública independente em 2023 e chegou finalmente a formato físico em CD Digipak pela Maledict Records em 2024. A edição física acrescentou "Silver Lightning" ao alinhamento.
O primeiro concerto e aquilo que mudou em palco
Os Danger Machine só deram o primeiro concerto depois de grande parte destas gravações existir. A estreia aconteceu a 23 de setembro de 2023, no XVII Festival de Bandas de Beja, no Parque Vista Alegre.
O contacto regular com o palco começou rapidamente a alterar a forma como as próprias músicas eram tocadas. Quem assistia aos concertos comentava que os temas conhecidos da demo ganhavam outra dinâmica perante público e a banda começou a ouvir repetidamente a sugestão de registar essa energia.
Os próprios músicos reconhecem uma diferença importante entre estúdio e concerto. Por mais crua que uma gravação tente ser, o estúdio continua a ser um ambiente controlado. Em palco entram nervosismo, improvisação, erros, reação do público e uma intensidade que não pode ser completamente reproduzida numa sessão de gravação convencional.
Essa evolução tornava-se particularmente clara em músicas como "Wake Up in Leather". Entre a versão de 2022 e as interpretações posteriores havia já dois anos de concertos, ensaios e transformação na forma de tocar.
Facadas, Sangue & Rock'n'Roll e a ponte para o futuro
Foi precisamente para documentar essa diferença que os Danger Machine gravaram o concerto de 12 de abril de 2024, na Casa dos Arcos, em Beja. O resultado foi Facadas, Sangue & Rock'n'Roll, EP ao vivo lançado a 31 de outubro de 2024 e editado fisicamente em CD Cardboard pela Maledict Records.
Capa de "Facadas, Sangue & Rock'n'Roll".
O EP ao vivo reúne "Wake Up in Leather", "Beware of the Night" e uma música então ainda inédita em estúdio, "Smile on a Killer's Face".
A formação deste registo era composta por Danger Machine na voz e baixo, Phantom Lord na guitarra e War Rhino na bateria. Miguel Garras ficou responsável pela produção, mistura e masterização, aprofundando aqui uma relação que viria a alterar a própria formação da banda.
Facadas, Sangue & Rock'n'Roll tinha também uma função narrativa dentro da discografia. Os Danger Machine viam o lançamento como a ponte entre a demo e o primeiro álbum. Mostrava como as músicas antigas tinham crescido em palco e apresentava já "Smile on a Killer's Face", confirmada mais tarde como um dos temas dedicados ao futuro disco.
Em 2024 existiu ainda o ciclo Beware on the Road. Bernardo Barreiros, Blade Breaker, que tinha estado ligado às guitarras desde 2022, participou nos dois primeiros concertos dessa fase antes de deixar a formação. Artur Rodrigues, Steel Tyrant, já tinha passado pelas guitarras lead entre 2022 e 2023. A banda nunca transformou publicamente essas saídas numa narrativa de conflito, seguindo simplesmente para novas formações.
Danger Machine muda de formação e começa o primeiro álbum
Phantom Lord entrou em 2023, depois de as sessões originais de Metallick Mercenaries estarem gravadas. Com War Rhino na bateria e Diogo na voz e baixo, a banda tornou-se durante algum tempo um trio estável.
Em março de 2025, a gravação do primeiro álbum encontrava-se ainda nos primeiros passos. O tracking estava a começar na Garagem da Turtle, estúdio de Miguel Garras, enquanto a banda trabalhava em demos e preparava a direção final das músicas.
Também nessa altura o contrato para edição ainda não estava fechado. Os Danger Machine estavam a falar com várias editoras e tinham já uma possibilidade relativamente encaminhada para a edição em CD. A previsão inicial apontava, de forma provisória, para a primeira metade de 2026.
O calendário acabaria por se prolongar, mas a relação com a Maledict Records, que já tinha editado fisicamente Metallick Mercenaries, tornou-se definitiva para o álbum.
O método de composição dos Danger Machine parte habitualmente de Diogo, que desenvolve a ideia geral, o instrumental e a letra. War Rhino trabalha os arranjos de bateria e Phantom Lord desenvolve as partes de guitarra, transformando a base inicial num arranjo construído pela banda.
Esse processo ajuda a explicar porque a autoria central de Diogo nunca significou que os restantes músicos fossem apenas acompanhantes.
The Witchburner e a mudança musical dos Danger Machine
A 11 de abril de 2025 surgiu "The Witchburner (Early Version)". A gravação tinha sido criada inicialmente como material promocional para apresentar a música a editoras e promotores de concertos, mas a reação à faixa levou à decisão de a disponibilizar publicamente.
O subtítulo "Early Version" era importante. Aquela não seria a versão definitiva do álbum. Funcionava antes como primeira janela para uma fase musical que a própria banda descrevia como diferente de Metallick Mercenaries.
Capa de "The Witchburner (Early Version)".
Com a preparação do primeiro álbum, os Danger Machine começaram a afastar-se do Black'n'Roll dos dois primeiros lançamentos e a desenvolver uma abordagem mais trabalhada e claramente orientada para o Heavy Metal. A mudança já se tornou evidente nos singles mais recentes e será aprofundada em Tale of the Witchburner, sem abandonar as referências oitentistas que acompanham a banda desde o início.
Na fase atual, a própria apresentação do álbum pela Maledict Records aponta para uma abordagem mais forte e focada ao Traditional Heavy Metal. A passagem do Black'n'Roll inicial para o Heavy Metal dos novos temas marca, assim, uma das mudanças mais claras no percurso dos Danger Machine.
As referências fundamentais continuam a apontar para nomes como Venom, W.A.S.P., Slayer e Celtic Frost. O que mudou foi a forma de trabalhar essas influências.
"The Witchburner" introduziu também uma transformação temática profunda. Em vez de uma pequena história de terror independente, a música abriu a porta a uma narrativa histórica ficcional sobre perseguição religiosa. A primeira versão foi dedicada à memória das mulheres executadas durante a Inquisição Portuguesa.
A entrada de Oni Kurogo e a atual formação
A atual formação dos Danger Machine.
Miguel Garras já fazia parte do percurso dos Danger Machine muito antes de subir ao palco como membro. Nas sessões de Metallick Mercenaries, gravou na Garagem da Turtle as vozes adicionais de Monsignore Belathauzer em "Lucefecit". Mais tarde produziu, misturou e masterizou Facadas, Sangue & Rock'n'Roll e assumiu também a produção de "The Witchburner".
Em março de 2025 continuava a ser apresentado essencialmente como produtor externo. Ao longo desse ano, porém, a relação evoluiu e Garras passou para dentro da formação sob o nome Oni Kurogo, assumindo a guitarra rítmica.
A atual formação de quatro elementos é:
- Danger Machine, Diogo Maurício, 2021 - presente: voz, baixo, composição e letras.
- War "Rex" Rhino, Nuno Basso Rota, 2021 - presente: bateria.
- Phantom Lord, Paulo Neves, 2023 - presente: guitarra lead.
- Oni Kurogo, Miguel Garras, 2025 - presente: guitarra rítmica e produção.
A mudança é particularmente relevante porque o produtor passou a ser também parte ativa da execução das músicas. A nova formação permite separar mais claramente guitarra rítmica e guitarra lead e aumentou as possibilidades de arranjo em estúdio.
Fora dos Danger Machine, Miguel Garras possui um percurso ligado a diferentes projetos do Metal português, incluindo os ThrashWall, enquanto Diogo continuou igualmente a desenvolver música fora da banda, tendo participado nos Misery Rites, projeto Thrash Metal surgido em Évora em 2025.
Tale of the Witchburner, o primeiro álbum dos Danger Machine
Tale of the Witchburner é o primeiro álbum de estúdio dos Danger Machine e tem lançamento previsto para os próximos meses de 2026 através da Maledict Records, incluindo uma edição física em CD Jewelcase. Depois de um processo de gravação iniciado em 2025, em setembro de 2026 o disco encontra-se terminado e pronto para lançamento, com a produção das cópias físicas já em curso. A data exata de edição ainda não foi anunciada.
O disco é apresentado como um álbum parcialmente conceptual. Terá oito músicas e dois pequenos momentos instrumentais utilizados para acrescentar elementos à história. Das oito canções, quatro pertencem diretamente à narrativa central. As restantes foram compostas antes desse conceito, sendo que algumas remontam inclusivamente à primeira banda de Diogo Maurício.
Isto significa que Tale of the Witchburner não foi escrito integralmente como uma única história do princípio ao fim. O conceito nasceu sobre material que já existia e acabou por criar uma ligação entre diferentes momentos da composição de Diogo.
"Smile on a Killer's Face", já apresentada no EP ao vivo de 2024, está confirmada para o álbum. Em março de 2025, a banda dizia que o tema já era uma das novas músicas com melhor reação nos concertos.
A tracklist integral ainda não foi divulgada. Há, contudo, uma continuidade particularmente curiosa entre as diferentes fases dos Danger Machine. "Lucefecit" e "Alabarda no Brilho da Noite" já faziam parte de Metallick Mercenaries muito antes de Lucefecit e a Order of the Halberd surgirem como elementos fundamentais da história de Tale of the Witchburner. A banda já confirmou que algum material da fase da demo foi recuperado para o primeiro álbum, embora os títulos dessas músicas ainda não tenham sido revelados.
Lucius Spearca V e a história de Tale of the Witchburner
Imagem conceptual de "Tale of the Witchburner".
A parte conceptual do álbum começa em 1672 e utiliza a história portuguesa como cenário para uma narrativa de ficção.
No centro encontra-se Lucius Spearca V, Conde de uma pequena terra chamada Lucefecit. É inicialmente apresentado como um governante respeitado e benevolente, até a doença prolongada da mulher, Katherine Rightwis VIII, começar a transformá-lo.
Depois de sete anos de doença, Katherine morre. Lucius convence-se de que a morte foi provocada por bruxaria dirigida contra a sua família e começa a interpretar a tragédia como parte de uma missão religiosa que lhe teria sido entregue por Deus.
É então criada a Order of the Halberd. Lucius assume o título de "Starlord" e passa a comandar uma campanha violenta contra aldeias do sul de Portugal, perseguindo sobretudo mulheres acusadas de bruxaria.
Dentro da ficção, essas operações recebem o nome de "Benzeduras". A aproximação das tropas era anunciada por uma música e a estranha resignação daqueles que aguardavam a chegada tornou-se, na narrativa do álbum, o fenómeno chamado "Smashing Silence".
O próprio nome da banda acaba incorporado na história. À medida que a violência da Order of the Halberd se espalha, "The Danger Machine" passa a funcionar como código utilizado entre aldeias para avisar que as tropas de Lucius poderiam estar próximas.
Em 1674, depois de regressar de uma nova campanha, Lucius encontra o seu território em decadência. Durante uma caçada noturna junto de um santuário endovélico próximo do rio Lucefecit, Lucius morre de forma misteriosa e o corpo desaparece no local, deixando a história aberta a uma última dúvida sobrenatural.
A narrativa utiliza como ponto histórico real a suspensão da Inquisição Portuguesa pelo Papa Clemente X em 1674. Lucius, Katherine, a Order of the Halberd, as Benzeduras e os acontecimentos que lhes são atribuídos pertencem, contudo, à ficção criada para o álbum.
O conceito foi escrito por Diogo Maurício e o álbum é dedicado à memória das mulheres executadas durante a Inquisição Portuguesa.
A nova imagem dos Danger Machine
A mudança musical chegou acompanhada por uma opção visual igualmente deliberada. Para Tale of the Witchburner, os Danger Machine quiseram afastar a capa e materiais gráficos de imagens explícitas de violência.
A direção escolhida é mais sombria, fúnebre e ligeiramente etérea, recorrendo a velas, símbolos religiosos, vestuário e ambientes que sugerem luto e ritual sem mostrar diretamente aquilo que as letras descrevem.
Ollegator voltou a estar ligado ao lado visual do projeto, mantendo uma relação criativa que vem dos primeiros lançamentos. Diogo continua também envolvido diretamente no conceito e design gráfico.
Smashing Silence abre oficialmente a campanha do álbum
Capa de "Smashing Silence".
A 10 de julho de 2026, os Danger Machine editaram "Smashing Silence", o primeiro single oficial de Tale of the Witchburner.
O lançamento inclui dois temas: "Smashing Silence" e "The Witchburner (Album Version)". Esta segunda gravação tornou finalmente possível ouvir a evolução entre a versão promocional de abril de 2025 e o tratamento pensado para o álbum.
A gravação corresponde já à atual formação. Diogo assume voz principal, harmonias e baixo, Phantom Lord as guitarras lead, Oni Kurogo a guitarra rítmica e War Rhino a bateria. Miguel Garras ficou também responsável pela gravação, produção, mistura e masterização.
"Smashing Silence" aprofunda o universo de perseguição religiosa e abuso de poder que atravessa a componente conceptual do disco. A música ocupa uma posição muito específica dentro da história, dando nome à reação silenciosa das vítimas perante a aproximação dos homens de Lucius.
Danger Machine, Greyhound e uma história pessoal fora do conceito
Capa de "Greyhound".
O segundo single do álbum será "Greyhound", com edição marcada para 18 de setembro de 2026.
Antes do lançamento oficial, "Greyhound" será apresentado em exclusivo no Força Bruta, durante a emissão de 11 de setembro. Será a oportunidade de ouvir o novo single dos Danger Machine uma semana antes da sua edição pública.
Enquanto "Smashing Silence" nasce diretamente da narrativa de Lucius Spearca V, "Greyhound" parte de uma história profundamente pessoal. Diogo Maurício escreveu a música em memória do avô, Manuel Magro (1939-2024), inspirando-se em acontecimentos reais da sua vida.
A gravação reúne a atual formação dos Danger Machine, com Diogo Maurício na voz principal, harmonias vocais, baixo e vozes de grupo, Oni Kurogo na guitarra rítmica e vozes de grupo, Phantom Lord na guitarra lead e War "Rex" Rhino na bateria. O tema conta ainda com a participação de Gshiro, Gonçalo Branco, na guitarra acústica.
Toda a música e letra foram compostas por Diogo Maurício, que ficou também responsável pelos arranjos de voz, guitarra rítmica, baixo e guitarra acústica. As guitarras lead foram arranjadas por Paulo Neves e Diogo Maurício, enquanto os arranjos de bateria ficaram a cargo de Nuno Rota.
A gravação, produção, mistura e masterização ficaram nas mãos de Miguel Garras, Oni Kurogo. A fotografia do artwork é de Ollegator, com conceito e design desenvolvidos em conjunto por Ollegator e Diogo Maurício.
O Satanic Circus entre Metallick Mercenaries e o novo álbum
A atividade ao vivo dos últimos dois anos foi também organizada dentro de um ciclo próprio. Os Danger Machine chamaram Satanic Circus ao conjunto de datas pensado para preencher o período entre o final da divulgação de Metallick Mercenaries e o início da verdadeira campanha ao vivo de Tale of the Witchburner.
Danger Machine em palco numa imagem promocional do ciclo "Satanic Circus".
Esse percurso ajudou a banda a sair progressivamente do circuito mais próximo de Beja e Évora e a ganhar espaço noutros palcos nacionais. Entre os momentos mais importantes estiveram o Capote Fest, em Évora, o NADA Fest, em Beja, o Heavy Duty Fest, no RCA Club, em Lisboa, e o Bajonca Rock Fest, em São Pedro do Sul. Pelo caminho, os Danger Machine passaram também por datas em Fatela, Tavira, Alvalade e outros pontos do país, usando estes concertos para testar em palco material que já apontava para o primeiro álbum.
Em 2026, "Smashing Silence" entrou definitivamente nesta fase de transição e integrou o alinhamento dos Danger Machine no Bajonca Rock Fest, apenas um dia depois de o single chegar ao público.
A 18 de setembro, uma semana depois da passagem pelo Força Bruta, a banda regressará a Beja para uma atuação na Casa da Cultura, coincidindo com o lançamento de "Greyhound".
O ciclo Satanic Circus deverá terminar a 9 de janeiro de 2027, no XXXII HardMetal Fest, em Mangualde. Se o plano anunciado pela banda se mantiver, essa data terá também um significado especial: será o encerramento desta fase de transição e o início de um novo ciclo de concertos já centrado na divulgação de Tale of the Witchburner.
Danger Machine chegam ao álbum sem querer repetir a mesma fórmula
Há uma ideia que atravessa várias declarações dos Danger Machine e ajuda a ligar todos estes capítulos: a banda não quer transformar-se num projeto que repete indefinidamente a mesma fórmula.
Quando começaram a preparar o álbum, os músicos diziam querer habituar quem os acompanha à possibilidade de encontrarem mudanças de disco para disco. Metallick Mercenaries pertence a um momento específico e foi gravado como tal. Reproduzir simplesmente aquela abordagem anos mais tarde não faria sentido para a própria banda.
Essa filosofia também ajuda a explicar a passagem do black'n'roll cru para composições mais cuidadas, a entrada de uma segunda guitarra, o crescimento da produção e a construção de um conceito muito mais elaborado para o primeiro álbum.
Ao mesmo tempo, os Danger Machine têm insistido na importância do underground enquanto comunidade. A experiência de tocar no Alentejo, onde as oportunidades podem ser mais espaçadas e implicar maiores deslocações, reforçou a importância atribuída à colaboração entre bandas, promotores, associações e público.
Danger Machine no Força Bruta a 11 de setembro de 2026
É neste ponto que os Danger Machine chegam ao Força Bruta. A emissão de 11 de setembro de 2026 apanha a banda entre dois momentos importantes da campanha do álbum: "Smashing Silence" já está cá fora e "Greyhound" será lançado uma semana depois. Antes disso, porém, o novo single poderá ser ouvido em primeira mão no Força Bruta durante esta emissão.
Tale of the Witchburner está terminado, os CDs estão em produção e o percurso iniciado em 2021 entra finalmente na fase em que o primeiro álbum deixa de ser apenas um projeto anunciado para passar a ser um lançamento iminente.
A conversa em direto permitirá voltar ao começo em Évora, perceber como Diogo e War Rhino construíram as primeiras músicas, falar da intenção por detrás de Metallick Mercenaries, da importância do palco e de Facadas, Sangue & Rock'n'Roll, das alterações nas guitarras e da entrada de Oni Kurogo.
Haverá ainda muito para explorar em torno de Tale of the Witchburner: a transformação musical, o processo de composição, a história de Lucius Spearca V, a ligação entre material antigo e novo, a produção de Miguel Garras, o significado de "Smashing Silence", a homenagem pessoal escondida em "Greyhound" e aquilo que os Danger Machine querem fazer depois de fechar o ciclo Satanic Circus.
Cinco anos depois dos primeiros esboços feitos em Évora, os Danger Machine chegam ao Força Bruta num daqueles momentos em que passado e futuro se cruzam naturalmente: a demo que definiu o ponto zero continua presente na história da banda, enquanto Tale of the Witchburner está finalmente pronto para abrir o capítulo seguinte.
Onde ouvir e ver o Força Bruta em direto
6ª feira, das 20h às 23h
- Live stream aqui no site.
- Acompanhar no Twitch ou na Live no TikTok.
- Ouvir no site da All Stars Radio ou na App All Stars Radio.
- As entrevistas são também transmitidas em vídeo no Facebook do Força Bruta por volta das 21:30.
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