Junkbreed no Força Bruta: Rock, Punk e Post-hardcore
67ª Edição do Força Bruta

Atualização
Já está disponível a entrevista com os Junkbreed no site do Força Bruta, no YouTube e no Spotify. Podes escutar a emissão completa no podcast do Força Bruta de 17 de abril de 2026.
Os Junkbreed são uma banda portuguesa de rock, punk e post-hardcore que surgiu em 2020 e encontrou no confinamento o ponto de partida para uma linguagem musical agressiva, fluida e difícil de arrumar numa só gaveta. Entre a urgência punk, a tensão do post-hardcore e uma abordagem aberta ao risco, a banda foi afirmando uma identidade própria que rapidamente ultrapassou a ideia de simples escape criativo.
É esse percurso que enquadra a presença dos Junkbreed no Força Bruta, em direto, no dia 17 de abril de 2026. A conversa deverá passar pela origem da banda, pela evolução entre "Music For Cool Kids", "Cheap Composure" e "Sick Of The Scene", pela crítica à inteligência artificial na arte e pelo momento atual de um coletivo que continua em movimento, agora sem baterista fixo.
Sobre os Junkbreed, banda de rock, punk e post-hardcore
A história dos Junkbreed começa com Miranda (Primal Attack), que em 2020 começou a compor e a gravar ideias sem um plano rígido para formar uma banda. O impulso inicial era simples: aproveitar o tempo disponível para fazer música e perceber até onde aquelas primeiras composições podiam ir. Quando Pica (Primal Attack, Spoiled Fiction, ex-Seven Stitches) entrou para experimentar vozes nas maquetas, o projeto ganhou direção real.
Depois juntaram-se Karia, Pedro Mau e mais tarde Pardal, que se ofereceu para tocar guitarra depois de ouvir as primeiras demos. A formação inicial foi-se fechando de forma orgânica, entre amizades antigas, experiência acumulada e uma vontade comum de trabalhar sem excesso de regras. O detalhe mais invulgar dessa fase diz muito sobre a génese da banda: a primeira vez em que todos estiveram juntos fisicamente aconteceu apenas a 15 de setembro de 2021, já com o disco de estreia terminado.
Esse arranque ajuda a perceber muito do que os Junkbreed viriam a ser. Desde o início, a banda cresceu entre método caseiro, espírito DIY, troca constante de ideias e uma recusa em alisar demasiado as canções. O objetivo não passava por limpar tudo até à neutralidade, mas por preservar nervo, imperfeição, peso e feeling.
Como nasceram os Junkbreed em pleno confinamento
Nos primeiros tempos, o trabalho da banda fez-se sobretudo à distância. Miranda foi reunindo temas, Pica foi experimentando linhas vocais, e as músicas começaram a ganhar direção num processo em que a composição vinha primeiro e as letras eram construídas depois, muitas vezes em diálogo entre os dois. Esse método deu às canções um caráter mais orgânico, menos preso a fórmulas e mais ligado ao ritmo natural de cada tema.
Nessa etapa, Pedro Mau tornou-se uma peça decisiva. Primeiro como baterista e produtor no arranque do projeto, depois como colaborador central no crescimento da banda, Pedro Mau teve um papel determinante na passagem das demos para discos com forma acabada. Foi com a sua entrada, tanto na bateria como na produção, que as músicas ganharam outro peso, mais estrutura e maior coerência.
Esse contexto também deixou marcas diretas no som. Sem a dinâmica habitual de estúdio e com muitos takes registados em casa, os Junkbreed fixaram desde cedo uma energia mais crua, direta e espontânea e foi essa combinação entre urgência, instinto e trabalho de detalhe acabaria por definir o primeiro disco.
Dos Junkbreed de "Music For Cool Kids" a "Cheap Composure"
Capa do álbum "Music For Cool Kids" dos Junkbreed.
O resultado desse arranque foi "Music For Cool Kids", álbum de estreia editado em 2021 pela Raging Planet. O disco reuniu onze temas e apresentou logo uma banda que não queria escolher entre agressividade e melodia, nem entre impulso punk e construção mais trabalhada. A estreia mostrou desde logo uma identidade própria e uma recusa clara do previsível.
"Music For Cool Kids" ficou também como retrato muito nítido da primeira fase da banda. O seu lado cru e imediato nasce da forma como foi construído, da gravação repartida e de uma lógica criativa em que a urgência nunca foi sacrificada em nome de um acabamento demasiado polido.
Essa etapa ficou documentada em "Born From Death", documentário de 15 minutos sobre a criação e gravação do álbum. Mais do que um complemento, esse registo ajuda a perceber como os Junkbreed passaram de um conjunto de maquetas partilhadas à distância para um disco de estreia com identidade própria.
Capa do EP "Cheap Composure" dos Junkbreed.
Com a passagem aos palcos, a banda deixou de ser apenas um projeto construído em ficheiros e confirmou em concerto a energia que a estreia já deixava perceber. Esse crescimento abriu espaço a uma nova etapa, já com Antero e Tiago ligados à evolução do coletivo.
Essa mudança ficou visível em "Cheap Composure", editado a 7 de outubro de 2023. O EP não serviu apenas de ponte entre dois álbuns. Serviu para expandir a linguagem dos Junkbreed e preparar o terreno para o passo seguinte. Em vez de repetir a estreia, mostrou uma banda interessada em testar novas soluções e em alargar o seu campo de ação sem perder as raízes.
"Sick Of The Scene" e a fase atual da banda
Em 2024, os Junkbreed regressaram aos estúdios SinWav para gravar "Sick Of The Scene", lançado a 10 de outubro de 2025 pela Raging Planet Records. O segundo álbum de estúdio representa uma continuação natural da estreia, mas também uma mudança de foco. As canções tornaram-se mais diretas, mais pesadas e mais imediatas, sem abandonar o caos criativo, os detalhes subtis e a vontade de não soar como mais ninguém.
Capa do álbum "Sick Of The Scene" dos Junkbreed.
"Sick Of The Scene" afirma uma crítica ao estado da arte e ao estado da cena musical, com especial atenção ao impacto da inteligência artificial na criação artística, à saturação provocada pelo consumo rápido e à perda de autenticidade num ambiente cada vez mais padronizado. A própria capa do disco, criada por Miranda com recurso à inteligência artificial, foi pensada como gesto satírico e como prolongamento do conceito do álbum.
Gravado, misturado e masterizado por Mau, o disco mostra uma banda mais segura do que quer fazer. A formação desta etapa ficou assente em Pica na voz, Karia no baixo, Miranda e Tiago nas guitarras e Antero na bateria, com a participação de Nuno Pardal no solo de "Over What I Know". Essa fase consolidou a maturidade dos Junkbreed sem lhes retirar fricção, nem a capacidade de fazer de cada tema um espaço de confronto entre impulso e construção.
Em abril de 2026, a banda entra noutra etapa. Depois de mudanças recentes, os Junkbreed estão sem baterista fixo. Xinês assegurou um concerto recente e voltará a tocar com a banda num concerto especial em agosto, mas não integra a formação. Neste momento, os Junkbreed procuram um baterista a tempo inteiro, capaz de entrar no projeto a cem por cento e acompanhar o que vier a seguir.
Junkbreed no Força Bruta
É precisamente nesse ponto de transição que a passagem pelo Força Bruta ganha peso editorial. Em direto, a conversa poderá ligar a origem da banda, a afirmação com "Music For Cool Kids", a expansão trazida por "Cheap Composure", a visão crítica de "Sick Of The Scene" e o momento atual de reorganização. Mais do que anunciar uma presença no programa, esta emissão serve para perceber quem são hoje os Junkbreed, de onde vêm e o que define esta fase do seu percurso.
Onde ouvir e ver o Força Bruta em direto
6ª feira, das 20h às 23h
- Live stream aqui no site.
- Acompanhar no Twitch ou na Live no TikTok.
- Ouvir no site da All Stars Radio ou na App All Stars Radio.
- As entrevistas são também transmitidas em vídeo no Facebook do Força Bruta por volta das 21:30.
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