Terramorta - Symphonic Black Death Metal no Força Bruta

66ª Edição do Força Bruta

Emissão: sexta-feira, 10 de abril de 2026, 20:00 (hora de Portugal)

Terramorta - Symphonic Black Death Metal

Atualização
Já está disponível a entrevista com os Terramorta no site do Força Bruta, no YouTube e no Spotify. Podes escutar a emissão completa no podcast do Força Bruta de 10 de abril de 2026.

Os Terramorta são uma banda portuguesa de symphonic black/death metal formada em 2022 em Amarante e que surge da vontade de voltar a fazer música extrema com ambição, identidade e um forte peso orquestral. Em pouco tempo, a banda construiu um percurso muito próprio dentro do underground nacional, primeiro com Chronophobia e depois com The Fading Lumina's Embrace, dois discos ligados por uma linguagem sombria, intensa e profundamente pessoal.

É esse percurso que enquadra a presença dos Terramorta na edição de 10 de abril de 2026 do Força Bruta, programa emitido em direto a partir das 20:00. A conversa deverá centrar-se na origem da banda, na construção de Chronophobia, na passagem para The Fading Lumina's Embrace, nas mudanças de formação e na fase atual de uma banda que mudou bastante em pouco tempo sem abdicar do núcleo da sua identidade.

Sobre os Terramorta, banda de Symphonic Black/Death Metal

Os Terramorta começaram a ganhar forma em 2022, quando Carlos Ribeiro, também conhecido como Nero Sangrus, decidiu voltar a concentrar-se numa banda de metal extremo depois de vários anos de trabalho em estúdio e de percurso noutras frentes musicais. Esse impulso ganhou força quando gravou Cold Black Svns dos Enthroned no Pike Studios, experiência que reacendeu a vontade de criar música pesada com assinatura própria.

A base inicial do projeto consolidou-se com Hélder Guedes, ou HellVigário, com quem Carlos já tinha tocado no passado. A partir daí entrou Seer (Renato Sousa), que ajudou a definir a dimensão lírica e conceptual da banda e mais tarde, já com o primeiro disco gravado e misturado, chegaram Sargervs (Cristiano Fonseca) e Lycan (João) para completar a formação que lançou Chronophobia. Desde o início, a banda reuniu músicos com percurso noutros projetos como Venial Sin, Morbius, Infernal Kingdom, Crown Of Grief e Arcanvm Woods.

O nome Terramorta surgiu como imagem de um lugar estéril, em degradação, sem vida e sem esperança, uma representação literal do mal no mundo e de uma visão nihilista que a banda assumiu como central. Essa ideia passou do nome para a estética, para o conceito e para a própria forma como os Terramorta começaram a definir a sua música.

Como os Terramorta construíram Chronophobia

Ao contrário de muitos projetos que se vão moldando apenas em ensaio, os Terramorta quiseram desde cedo trabalhar com planeamento e direção clara. Conceito, sequência, letras, identidade visual e estratégia foram pensados com detalhe e isso sentiu-se logo no lançamento de Chronophobia. A apresentação da banda arrancou em dezembro de 2023 e foi seguida por uma sequência bem definida, com o vídeo de Chronophobia a 25 de dezembro, o vídeo lírico de Burnout Looms a 20 de janeiro de 2024, o vídeo de Your God Is A Lie a 3 de fevereiro e, finalmente, o álbum completo a 13 de fevereiro de 2024.


Capa do álbum Chronophobia dos TerramortaCapa do álbum Chronophobia dos Terramorta.

Chronophobia surge como um disco conceptual em torno da cronofobia, o medo da passagem do tempo e dos seus efeitos. Essa base partiu de Seer e deu ao álbum uma linha coerente do início ao fim, cruzando desgaste, burnout, agressão social, presságio, morte e pós-morte. Em vez de apostar em excesso estrutural, a banda procurou canções diretas, tensas e expressivas, capazes de sustentar o conceito sem dispersão.

Ao mesmo tempo, o disco também ficou ligado a uma experiência pessoal decisiva de Carlos Ribeiro, marcada pela morte do pai. Essa perda cruza-se com outra dimensão essencial dos Terramorta, a vertente orquestral. Carlos trazia já uma relação forte com composição e arranjo, alimentada pela sua formação em música e pela influência do pai, professor de música e trompetista. Em Chronophobia, essa componente traduziu-se numa fusão de black metal, death metal, melodia e orquestração trabalhada instrumento a instrumento.

Foi essa combinação que definiu a identidade inicial da banda. Os Terramorta apareceram com riffs agressivos, voz extrema, peso constante e uma ambição sinfónica que não funcionava como ornamento, mas como parte estrutural das composições. Até pormenores como os títulos em português, em temas como Presságio e Morte, ajudaram a dar contorno próprio a uma estreia que quis afirmar logo uma assinatura distinta.

Os Terramorta entre a estreia e o segundo álbum

Depois do lançamento de Chronophobia, a banda passou rapidamente para a preparação de palco. Em 2024, os Terramorta anunciaram uma primeira série de concertos em Portugal, com datas em Freamunde, Lisboa, Porto, Vila Nova de Famalicão e Castelo Branco. A lógica era clara: poucos concertos, mas com forte preocupação com som, execução e impacto, uma ideia que a banda repetiu várias vezes ao falar da forma como queria apresentar-se em palco.

Esse período também ajudou a alargar o alcance do nome Terramorta. A receção ao primeiro álbum foi suficientemente forte para levar a banda a enviar discos para vários países, incluindo Japão, Estados Unidos, Austrália, Venezuela e Brasil, que encorajou ainda mais a continuação do projeto e confirmou que a estreia tinha conseguido ultrapassar o impacto local de uma banda recém-formada.

Ao mesmo tempo, o passo seguinte começou cedo. Em setembro de 2024, a banda já dava sinais concretos de trabalho no segundo álbum, com a gravação de bateria concluída. Nos meses seguintes, os Terramorta continuaram a mostrar que a história não ficaria fechada em Chronophobia e que a intenção passava por avançar para uma nova fase sem perder a coerência do projeto.

The Fading Lumina's Embrace e a nova fase dos Terramorta

Essa nova fase ganhou forma com The Fading Lumina's Embrace, editado no final de 2025 e apresentado de forma súbita, sem a longa antecipação promocional que tinha acompanhado a estreia. A decisão foi assumida como um gesto de rutura com fórmulas previsíveis, mas a mudança não foi apenas estratégica. O disco surgiu num período muito duro, novamente marcado pelo luto, desta vez com a perda do irmão mais novo de Carlos Ribeiro.

Se Chronophobia girava em torno do medo do tempo, The Fading Lumina's Embrace aprofundou temas como a revolta, a impotência, a injustiça e a proximidade da morte. Canções como Baba Yaga, Caronte, Fog Of War, Agent Of Change, Sic Semper Tyrannis e Light Imprisoned mostram uma banda ainda assente na fusão entre black metal, death metal e linguagem sinfónica, mas mais ampla na construção e mais afirmativa na sua própria voz.

Capa do álbum The Fading Lumina's Embrace dos TerramortaCapa do álbum The Fading Lumina's Embrace dos Terramorta.

A própria construção do disco também ficou marcada por uma mudança importante. Numa fase já atravessada pela saída de HellVigário, a bateria de The Fading Lumina's Embrace acabou por ser gravada à distância com o contributo de Robin Stone, músico australiano escolhido por Carlos Ribeiro para ajudar a fechar o álbum. Esse detalhe mostra que a transição dos Terramorta não passou apenas pela formação visível da banda, mas também pelo próprio modo como o segundo disco foi sendo concluído.

O disco também alargou o universo da banda através de colaborações com Daniela Costa (Trabalhadores do Comércio) em Fog Of War, Enrico Di Lorenzo (Hideous Divinity) em Agent Of Change e Derek Sherinian (Dream Theater, Planet X, Black Country Communion, Sons of Apollo) em Light Imprisoned. Essas participações reforçam uma ideia que os Terramorta têm defendido desde cedo: a de que a linguagem da banda não precisa de ficar limitada a uma fórmula previsível nem a um círculo fechado de referências.

Mudanças na formação e o momento atual dos Terramorta

Entretanto, a formação mudou. Dan Vesca foi anunciado como novo vocalista em julho de 2025, HellVigário saiu em agosto desse ano e a fase mais recente passou a contar com Red Queen (Adriana Silvares) no baixo. Já nos concertos de apresentação de The Fading Lumina's Embrace, em fevereiro de 2026 no RCA Club e no Route 206, a bateria foi assumida por Gaspar Ribeiro. No núcleo atual, mantêm-se Nero Sangrus e Sargervs nas guitarras, com Dan Vesca na voz e Red Queen no baixo.

Também aqui manteve-se uma linha de continuidade importante. Tal como tinha acontecido na estreia, os Terramorta continuaram a trabalhar a partir do Pike Studios e a defender uma forte autonomia na produção. Quando não surgiu uma estrutura editorial alinhada com os objetivos da banda, o caminho passou por avançar através da própria Magnus Pike Records. A componente visual seguiu a mesma lógica de controlo criativo, com The Fading Lumina's Embrace a surgir com artwork de Carlos Ribeiro e com uma opção assumidamente simples, sem excesso visual nem recurso a inteligência artificial.

Terramorta no Força Bruta

É neste ponto que os Terramorta chegam ao Força Bruta. A presença da banda no programa faz sentido porque há aqui um percurso recente, intenso e já bastante definido para ser contado: a formação em 2022, a afirmação de Chronophobia, a rápida passagem aos palcos, a preparação de um segundo disco em plena mudança interna e a consolidação de The Fading Lumina's Embrace como novo capítulo. Para perceber quem são os Terramorta e porque aparecem no Força Bruta, é precisamente essa história que importa ouvir.

Onde ouvir e ver o Força Bruta em direto

Sexta-feira, das 20:00 às 23:00

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