Musaphonia: Biografia da Banda de Metal Sinfónico e Entrevista
71ª Edição do Força Bruta

Atualização
Já está disponível a entrevista com os Musaphonia no site do Força Bruta, no YouTube e no Spotify. Podes escutar a emissão completa no podcast do Força Bruta de 5 de junho de 2026.
Os Musaphonia são uma banda portuguesa de metal sinfónico formada em 2022 na Quinta do Conde, em Sesimbra, com uma sonoridade que combina a intensidade do metal, a dimensão orquestral, o fado e uma forte ligação às raízes portuguesas. Entre atmosferas épicas, emoção e peso, a banda construiu um lugar próprio dentro do metal nacional, com a alma portuguesa no centro da escrita e da composição.
Na emissão de 6ª feira, 5 de junho de 2026, das 20h às 23h, os Musaphonia estarão no Força Bruta em direto para uma conversa centrada na origem da banda, nos percursos dos seus músicos, na evolução dos primeiros singles até ao álbum "GRITO" e na fase atual marcada por "Maré Negra". A presença no programa serve de enquadramento para conhecer melhor uma banda recente, mas já com uma visão artística clara.
Sobre os Musaphonia, banda de metal sinfónico
Os Musaphonia afirmam-se como uma banda de metal sinfónico com alma portuguesa. O seu som nasce da fusão entre metal, música orquestral, fado, rock, clássico e pop/rock brasileiro, criando composições intensas, melódicas e cinematográficas.
A força da banda está no contraste. As guitarras dão peso e tensão, as teclas ampliam a dimensão sinfónica, a secção rítmica sustenta a intensidade e a voz melódica de Sol cruza-se com back vocals guturais de Chrys. Essa combinação permite aos Musaphonia trabalhar a relação entre delicadeza e agressividade sem perder a força emocional das canções.
As letras abordam temas como saudade, perda, superação, amor e liberdade interior. Mais do que acompanhar a música, a palavra funciona como parte essencial do universo dos Musaphonia, dando às canções uma dimensão narrativa e emocional muito própria.
A origem dos Musaphonia na Quinta do Conde
A história dos Musaphonia começa em 2022, na Quinta do Conde, com músicos que já traziam experiências diferentes, entre bandas de covers, formação musical, aprendizagem autodidata e projetos ligados ao rock e ao metal. Roger, Sol e Chrys vinham de uma banda de covers que passou por várias mudanças até dar lugar a uma nova fase dedicada a originais.
Foi nesse processo que a banda começou a aproximar-se do metal sinfónico. A entrada de Lobo nas teclas ajudou a reforçar a componente orquestral e a abrir espaço para uma sonoridade mais grandiosa. Mais tarde, a chegada de Gui acrescentou uma segunda guitarra e consolidou a formação que hoje dá corpo aos Musaphonia.
A partir daí, o projeto fixou uma direção clara: criar composições originais com peso, melodia, dramatismo e ligação às raízes portuguesas. Essa base permitiu à banda encontrar um espaço próprio entre a energia do metal e a dimensão emocional que atravessa as suas músicas.
Os membros dos Musaphonia e os seus percursos
A formação atual dos Musaphonia junta Sol na voz, Lobo nas teclas, Leo no baixo, Chrys na bateria e back vocals, Roger na guitarra e Gui na guitarra. Cada músico chega à banda com uma história própria, e é dessa soma que nasce o equilíbrio entre peso, melodia, teatralidade e emoção.
Sol, nome artístico de Solange, cresceu com a música por perto. Em criança, ficava fascinada com a banda de garagem do irmão e assistia aos ensaios sempre que conseguia. Foi também o irmão quem lhe apresentou o lado mais rock e metal da música, com bandas como Guns N' Roses, Metallica e Iron Maiden, sem apagar a sua ligação ao pop/rock e ao fado.
A formação atual dos Musaphonia
Sem formação musical formal, Sol viveu durante muito tempo a música de forma íntima, muitas vezes a cantar em privado. Nos Musaphonia, essa relação pessoal ganhou palco e direção, tornando-se uma das marcas emocionais da banda.
Lobo começou a estudar piano aos cinco anos e teve formação em música clássica, mas sempre se sentiu mais atraído por covers de músicas populares do que por seguir apenas o repertório académico. Mais tarde, interrompeu os estudos formais de música e seguiu Engenharia Informática, sem nunca deixar de tocar piano nos tempos livres.
Depois de uma experiência numa banda de escola, Lobo passou anos a tocar sozinho, sem palco nem público. Quando surgiu a oportunidade de voltar a tocar numa banda, aceitou de imediato. Nos Musaphonia, encontrou espaço para ligar o piano ao lado sinfónico e cinematográfico do metal.
Leo descobriu o baixo no sétimo ano, através do Clube de Música da escola. Antes disso, já tinha tido contacto com instrumentos desde muito cedo, passando por guitarras e teclados. A 1 de julho de 2021 recebeu o seu primeiro baixo, iniciando uma fase de estudo intenso que rapidamente chamou a atenção do seu professor de música.
Esse percurso levou Leo a colaborar em vários projetos, incluindo a banda Retrospectiv, onde teve o primeiro contacto com experiências musicais mais profissionais. Hoje, nos Musaphonia, segura a base rítmica com uma evolução ainda em crescimento.
Roger, guitarrista, tem uma ligação antiga ao rock e ao metal. Ainda criança, tentava reproduzir riffs numa guitarra de plástico, inspirado por músicas ouvidas em vinil e por programas de televisão como o "TOP+". Na pré-adolescência recebeu a primeira guitarra elétrica e começou a aprender sozinho.
Aos 14 anos, Roger formou uma primeira banda com amigos e familiares, tocando covers de Metallica, Guns N' Roses e Xutos. Mais tarde, transmitiu a paixão pela guitarra ao filho, Chrys, e encontrou nos Musaphonia um novo desafio, ligado ao desejo antigo de criar música original.
Chrys, natural de Setúbal, começou a aprender guitarra aos oito anos com o pai, Roger. Aos doze entrou na escola de música Anacrusa e, três anos depois, no Conservatório Regional de Setúbal, onde estudou Guitarra Clássica. Em 2022 ingressou na Escola Superior de Música de Lisboa, no curso de Composição.
Antes e em paralelo com os Musaphonia, Chrys explorou outros territórios musicais. Em 2020 fundou o projeto de post-hardcore Silent Mode, desenvolve o projeto a solo INFINITUM MORTEM e integra também Born From Hatred. Nos Musaphonia, essa experiência surge na bateria, nos back vocals e na construção de ambientes mais densos.
Gui começou a tocar guitarra aos 12 anos. Embora tenha tido algumas aulas, desenvolveu sobretudo o seu percurso de forma autodidata, no quarto, onde descobriu o seu som. Também explora baixo e bateria, instrumentos que reforçam a sua versatilidade.
As suas influências passam por Slipknot, In Flames, Trivium, Nightwish e Within Temptation. Em 2020 integrou Silent Mode e, em 2023, entrou nos Musaphonia, juntando-se também a Born From Hatred no seu percurso dentro do metal alternativo nacional.
O universo artístico dos Musaphonia
O universo dos Musaphonia assenta na ligação entre metal sinfónico, fado, dramatismo e uma escrita emocional. A banda procura criar músicas com peso e atmosfera, mas também com uma dimensão humana clara, onde cada tema transporta uma imagem, uma memória ou um conflito interior.
Essa abordagem faz com que cada música seja pensada como uma narrativa. Algumas composições aproximam-se de ambientes medievais ou épicos, outras apontam para imagens mais sombrias, dramáticas ou cinematográficas. Apesar das diferenças entre temas, a banda mantém uma linha comum: criar canções com personalidade própria dentro do mesmo universo sonoro.
O fado surge como influência emocional, não como ornamento. A melancolia, a tensão e o dramatismo ajudam a dar profundidade ao metal sinfónico da banda, sem diminuir o peso das guitarras, a força rítmica ou a dimensão orquestral das teclas.
Dos primeiros singles dos Musaphonia ao álbum "GRITO"
O primeiro single dos Musaphonia foi "Despedida", anunciado no final de 2022 e lançado no início de dezembro desse ano. Mais do que uma estreia, o tema marcou o primeiro passo público da banda e abriu caminho para uma fase de construção independente.
Em 2023, os Musaphonia apresentaram a trilogia "Espelho Meu", composta por "Principium", "Regnare" e "Mortem". A própria banda descreveu essa trilogia como a sua "Grande Ópera", o que revela a ambição narrativa e sinfónica desta etapa.
Ainda em 2023, "Recorda-me" reforçou o lado emocional dos Musaphonia. O tema ajudou a mostrar que a banda procurava mais do que impacto imediato: queria construir canções com atmosfera, imagem e memória.
Em 2024, "Saudade" tornou mais evidente a ponte entre fado e metal sinfónico. A canção partiu de uma palavra profundamente portuguesa e transformou essa carga emocional numa composição pesada, melódica e coerente com o caminho da banda.
No mesmo ano, "Solidão" abordou a solidão como alerta emocional. A música reforçou a dimensão humana das letras dos Musaphonia, mostrando uma banda interessada em temas reconhecíveis, tratados com intensidade e sem perder a força do metal.
Da independência ao estúdio profissional
Capa do álbum de estreia dos Musaphonia, intitulado "Grito".
Depois de vários singles produzidos em home studio, os Musaphonia deram início em 2025 à gravação do primeiro álbum de estúdio profissional no Liver Shutdown Studios. A mudança representou um salto de produção, mas não quebrou a lógica independente da banda.
Com "GRITO", lançado em maio de 2026, os Musaphonia entram numa nova fase. O álbum é apresentado pela banda como um trabalho pessoal e intenso, onde se concentram a dedicação, a humildade e a paixão que sustentam o projeto.
A artwork do álbum ficou a cargo de Luís Cordeiro e o Liver Shutdown Studios foi o espaço onde o disco foi gravado e ganhou vida. Da composição à gravação, passando pela mistura, masterização, fotografia e artes visuais, os Musaphonia mantêm uma abordagem independente e próxima de todas as fases criativas.
"Maré Negra" e a fase atual dos Musaphonia
"Maré Negra" tornou-se uma das faixas mais marcantes dos Musaphonia. O tema estreou a 1 de abril de 2026 e apresenta uma fusão entre metal sinfónico e influências de fado português, combinando emoção, peso e uma atmosfera cinematográfica.
A canção destaca o contraste entre a voz melódica de Sol e os back vocals guturais de Chrys, cruzando o delicado e o agressivo numa abordagem moderna e intensa. A formação presente no tema junta Sol na voz, Gui e Roger nas guitarras, Lobo nas teclas, Leo no baixo e Chrys na bateria e back vocals.
O videoclipe de "Maré Negra" contou com vídeo de Patrik Correa. A gravação e edição áudio passaram pelo Liver Shutdown Studios, enquanto a masterização ficou ligada aos Musaphonia e ao mesmo estúdio.
Em 2026, a banda integra também a coletânea Rock Soldiers 36, reforçando a sua presença internacional. Esta etapa coincide com a apresentação de "GRITO" em concertos de promoção, levando para palco a sonoridade que a banda tem vindo a construir desde 2022.
É neste ponto do percurso que os Musaphonia chegam ao Força Bruta em direto: com uma história ainda recente, mas já marcada por uma evolução clara, uma formação sólida, um álbum novo e uma visão própria para o metal sinfónico com alma portuguesa.
Onde ouvir e ver o Força Bruta em direto
6ª feira, das 20h às 23h
- Live stream aqui no site.
- Acompanhar no Twitch ou na Live no TikTok.
- Ouvir no site da All Stars Radio ou na App All Stars Radio.
- As entrevistas são também transmitidas em vídeo no Facebook do Força Bruta por volta das 21:30.
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