Sadistik Warfare: biografia, origem e discografia da banda de Thrash Metal
88ª Edição do Força Bruta

Os Sadistik Warfare surgiram em 2023 com a intenção de recuperar a agressividade, a velocidade e a sonoridade do Thrash Metal alemão dos anos 80. Com músicos ligados a Portugal e à Suíça, todos com uma longa experiência no underground, a banda começou por gravar uma demo que acabaria por ter uma receção inesperada. Dois anos depois desse primeiro lançamento, chegava Raised in Violence, o álbum de estreia, editado em março de 2026 pela Selvajaria Records.
Na sexta-feira, 23 de outubro de 2026, os Sadistik Warfare são os convidados do Força Bruta para uma conversa em direto sobre a origem do projeto, os bastidores das gravações, as histórias por detrás das músicas e a ligação ao Thrash e ao Hardcore dos anos 80. Haverá também espaço para abordar os próximos passos da banda, numa altura em que já foi revelado que estão a ser preparadas novas composições.
Sobre os Sadistik Warfare, banda de Thrash Metal
A biografia dos Sadistik Warfare começa com Nuno Santos, guitarrista dos Amputate e antigo membro dos Deep Odium, banda de Black Metal de Armação de Pêra, no Algarve. Em 2023, Nuno decidiu recuperar algumas ideias musicais que guardava há vários anos e avançar com um projeto dedicado ao Thrash Metal que o acompanhava desde a juventude.
Entre essas ideias estavam alguns riffs de Bringer of Death, uma das primeiras composições dos Sadistik Warfare. Nuno guardava-os desde os tempos dos Deep Odium, mas só os viria a desenvolver anos mais tarde para o novo projeto.
Para concretizar a ideia, convidou Roberto Raposo para a voz, Hugo Conim para o baixo e Phillip Stengele para a bateria, reunindo músicos com percursos bastante diferentes dentro do Metal. Roberto trazia a experiência dos Sortilege e décadas de ligação à divulgação do underground português, Hugo tinha passado por bandas como Dawnrider e Els Focs Negres, enquanto Phillip já tinha trabalhado com Nuno nos Amputate, na Suíça.
A relação entre Nuno e Roberto, aliás, vinha de muito antes dos Sadistik Warfare. Roberto chegou a ensaiar na pré-formação dos Amputate, pouco antes de Nuno se mudar para a Suíça, pelo que o projeto voltou a aproximar músicos que já partilhavam uma longa amizade.
O trabalho começou em casa de Nuno, que preparava os riffs e enviava as ideias aos restantes elementos. Roberto ouvia o material, sugeria alterações e as composições seguiam para os outros músicos, num processo desenvolvido à distância. Na altura, a intenção era apenas gravar uma demo, sem planos para uma discografia mais extensa ou uma atividade regular em palco.
Seeds of Hate: a primeira demo em 2024
Roberto Raposo a gravar vozes em 2024.
Em agosto de 2024, os Sadistik Warfare começaram a apresentar publicamente as primeiras gravações. Roberto registou as vozes no seu estúdio caseiro, enquanto as partes instrumentais foram trabalhadas separadamente, com a banda a partilhar também imagens das sessões de guitarra e bateria. A 23 de agosto, Rest in Pain foi apresentada como primeiro tema promocional, acompanhada por um vídeo com a letra.
A demo Seeds of Hate ficou disponível digitalmente a 24 de agosto de 2024, seguindo-se o lançamento oficial pela Selvajaria Records, a 6 de setembro. A edição física em cassete foi limitada a 99 exemplares e incluía três composições originais, Rest in Pain, Bringer of Death e Seeds of Hate, uma curta introdução instrumental e uma versão de Wild in the Streets, dos Circle Jerks.
Com letras escritas por Roberto Raposo, os três temas originais abordavam corrupção, interesses económicos, manipulação política e revolta social, assuntos que também estiveram na origem do nome Sadistik Warfare. Musicalmente, a demo combinava riffs rápidos, bateria agressiva e vocais ásperos, seguindo uma linha próxima do Thrash germânico e do Hardcore Punk dos anos 80.
A resposta do público apanhou os músicos de surpresa, com as 99 cassetes a esgotarem em menos de três semanas. O resultado ultrapassou as expectativas de um projeto criado essencialmente por satisfação pessoal e, como os próprios elementos também estavam bastante contentes com as gravações, decidiram dar continuidade à banda e começar a preparar um álbum completo.
Raised in Violence: o álbum de estreia dos Sadistik Warfare
Durante 2025, os Sadistik Warfare trabalharam no material que daria origem ao primeiro álbum, mantendo o método de gravação à distância, com cada músico a registar as suas partes no respetivo estúdio caseiro. As sessões vocais estavam em andamento em agosto desse ano e representaram um desafio particular para Roberto Raposo, que gravou sozinho num registo bastante diferente daquele a que estava habituado nos Sortilege.
A principal diferença em relação à demo esteve na produção. Desta vez, a banda entregou a produção, mistura e masterização a Paulo Vieira, conhecido por Paulão, procurando um som mais coeso e pesado, sem perder a agressividade das primeiras composições.
Editado a 20 de março de 2026 pela Selvajaria Records, Raised in Violence reúne nove faixas, das quais sete são composições originais. As duas faixas restantes incluem três versões de temas de outras bandas, mantendo a ligação ao Punk e ao Hardcore que já se fazia sentir em Seeds of Hate.
Raised in Violence, álbum de estreia dos Sadistik Warfare, lançado em março de 2026 pela Selvajaria Records.
Entre os temas originais destaca-se Raised in Violence, cuja letra foi escrita por Nuno Santos a partir da história de vida de Harley Flanagan, dos Cro-Mags. A infância e a juventude marcadas pela violência, tanto no ambiente familiar como nas ruas de Nova Iorque, serviram de inspiração para a composição, a partir de episódios retratados na autobiografia do músico.
Outro dos destaques é Beneath the Ashes, apontada pelos próprios Sadistik Warfare como uma das músicas que melhor representa a sonoridade que pretendem desenvolver. O álbum inclui ainda temas como Lobotomy of Masses, B-29, War Violent Speed Metal e Condemned, alternando momentos de maior velocidade com passagens mais pesadas.
Uma das particularidades do disco é Aldrabões, a primeira experiência de Roberto Raposo a escrever uma letra e gravar uma música em português. O vocalista nunca se tinha sentido confortável a cantar na sua língua materna e, quando ouviu a gravação pela primeira vez, não gostou do resultado. Depois de várias audições, porém, acabou por mudar de opinião, ao ponto de considerar o tema um dos seus favoritos do álbum.
Os Ratos de Porão tiveram um papel importante nessa experiência. Roberto, que considera a banda uma das suas grandes referências, procurou imaginar como João Gordo abordaria a escrita daquela letra, especialmente na construção das frases e das rimas. Quando alguns ouvintes compararam posteriormente a música aos Ratos de Porão, recebeu os comentários como um elogio.
Tal como tinha acontecido com a demo, a procura pelas edições físicas voltou a surpreender os músicos. Raised in Violence foi lançado numa tiragem de 200 CDs, 100 vinis e 50 cassetes, sendo que estas últimas esgotaram antes de entrarem em produção. O vinil também teve uma procura elevada, num resultado que ultrapassou as expectativas da banda.
O Thrash alemão e as influências musicais dos anos 80
A sonoridade dos Sadistik Warfare tem como principal referência o Thrash Metal alemão de meados dos anos 80, com influências de bandas como Destruction, Protector, Necronomicon e Iron Angel. A escolha é deliberada, já que os músicos consideram que muitas bandas mais recentes de Thrash seguem sobretudo a tradição norte-americana, deixando para segundo plano o som mais cru e agressivo que caracterizava parte da cena alemã daquela década.
Essa preferência reflete-se nos riffs, na velocidade das composições e na abordagem vocal de Roberto, mas o Hardcore Punk também ocupa um lugar importante no percurso dos Sadistik Warfare. Bandas como Cro-Mags, Circle Jerks, FEAR e Rebel Faction acompanharam os músicos muito antes de começarem a tocar e ajudam a explicar a presença de várias versões nos dois primeiros lançamentos.
Os Loucos do Skate e as histórias por detrás das versões
A ligação dos Sadistik Warfare ao Punk e ao Hardcore passa também por Thrashin', filme de 1986 conhecido em Portugal como Os Loucos do Skate, que marcou profundamente a juventude dos músicos. Nuno Santos praticava skateboard em Armação de Pêra e recorda os tempos em que o filme era visto repetidamente em VHS, enquanto Roberto Raposo associa essa época ao início da sua descoberta do Metal, em 1985, através de um amigo skater que entretanto faleceu.
Foi essa ligação pessoal que levou à escolha de Wild in the Streets, dos Circle Jerks, para a demo de 2024. A música fazia parte da banda sonora do filme e permitiu aos Sadistik Warfare prestar uma primeira homenagem à cultura que tinha acompanhado a sua juventude.
Em Raised in Violence, a homenagem continuou com Burnin' For You, dos Rebel Faction, escolhida pela cena em que os skaters incendeiam uma rampa, e Hey, dos FEAR, associada a outro momento do filme envolvendo os Daggers. A banda decidiu juntar as duas versões numa única faixa, reinterpretando-as com guitarras mais próximas do Thrash e uma abordagem vocal própria.
Antes dessa escolha, chegou a existir uma ideia diferente, relacionada com os Daggers, que poderia ter dado outro rumo a War Violent Speed Metal. O conceito acabou por ser alterado durante a preparação do disco e a homenagem ficou centrada nas duas músicas da banda sonora.
A terceira versão incluída no álbum é Show You No Mercy, dos Cro-Mags, uma homenagem a uma banda fundamental na aproximação entre Hardcore e Thrash Metal. A escolha está também relacionada com a admiração pela história de Harley Flanagan, que inspirou a faixa que dá título ao disco.
O presente e o futuro dos Sadistik Warfare
Em 2026, os Sadistik Warfare mantêm a formação que gravou os dois primeiros trabalhos, com Nuno Santos na guitarra, Roberto Raposo na voz, Hugo Conim no baixo e Phillip Stengele na bateria. Apesar da continuidade entre os quatro músicos, a distância geográfica continua a ser um dos maiores obstáculos a uma eventual passagem aos palcos.
Nuno vive na Alemanha, Phillip na Suíça e Roberto e Hugo em Portugal, o que torna difícil conciliar deslocações, compromissos profissionais e os restantes projetos musicais de cada um. Os Sadistik Warfare já receberam convites para concertos em Portugal e na Suíça, mas reunir os quatro elementos para ensaiar e preparar uma atuação exige uma organização difícil de concretizar, razão pela qual a banda continua a privilegiar o trabalho de estúdio.
Em maio de 2026, os músicos revelaram que estavam a preparar uma reedição em CD de Seeds of Hate, motivada pelos pedidos de quem queria adquirir a demo, mas não tinha equipamento para ouvir cassetes. O projeto previa uma nova mistura das músicas, preparada por Paulão, juntamente com as gravações originais de 2024. Inicialmente, chegaram a considerar uma edição em vinil de sete polegadas, mas os custos de produção tornaram essa possibilidade pouco viável.
Na mesma altura, os Sadistik Warfare anunciaram que já estavam a trabalhar num segundo disco, com Nuno Santos a desenvolver várias composições. Ainda sem uma data de lançamento anunciada, o novo material abre mais uma etapa na história de uma banda que começou com a intenção de editar apenas uma demo.
É neste momento do seu percurso que os Sadistik Warfare chegam ao Força Bruta a 23 de outubro de 2026, trazendo uma história marcada pelo Thrash alemão, pelo Hardcore Punk e por décadas de experiência no underground. A conversa será uma oportunidade para conhecer melhor os bastidores de Raised in Violence, recuperar histórias que ainda ficaram por contar e descobrir o que os músicos estão a preparar para o futuro.
Onde ouvir e ver o Força Bruta em direto
6ª feira, das 20h às 23h
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